quinta-feira, 14 de julho de 2011

CASA ARRUMADA















Texto enviado pela professora Karla Figueiredo,da FTC Feira, e lido na abertura do programa "Um Toque de Mulher" no dia 9 de julho de 2011

Casa arrumada é assim:Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PRECONCEITO LINGUÍSTICO

Por Madalena de Jesus

Como profissional de comunicação (jornalista e radialista) e professora da área de Letras, jamais poderia aplaudir atentados contra a nossa língua, já tão sofrida por conta dos remendos recebidos ao longo da história. Até porque trabalho com produção textual e a nós, graduados e conhecedores das normas da linguagem dita padrão, não é dado o direito de ignorar os códigos que norteiam a nossa gramática.

Mas daí a usá-los para praticarmos o mais cruel dos preconceitos – o linguístico – a distância é grande. Se teóricos da Língua Portuguesa (Marcos Bagno, por exemplo) fazem manifestações contra essa conduta e admitem o uso do PNP (Português Não Padrão), por que eu, pobre mortal, tenho o direito de criticar quem quer que seja?

E só a título de ilustração, indico a leitura dos poemas “O Poeta da Roça”, de Patativa do Assaré, e “Vício na Fala”, de Oswald de Andrade.

O Poeta da Roça


Sou fio das mata, canto da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argun menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.
(...)

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

A FOTO, O SILÊNCIO E A FALA
















Na foto,Cida acarinhada por Bárbara e Guadalupe

A Valdenir Lima e Aparecida Machado

o que melhor os retratos
apreendem não são as imagens,
cerzidas à precisão de olho e luz.

são os sons em silêncios
mudos. e neles, os dizimentos
mais profundos. que diz aquele
menino ali, que tanto cala
em tanto silêncio nato
em tanta silenciosa fala?

que diz aquele menino
no canto mudo da foto e da sala?

silêncio: o retrato guarda
respeito solene, e bem
mais que mudo, a quem se cala.

Autor: Jozailto Lima - Jornalista e poeta

sábado, 11 de junho de 2011

A festa dos santos em Feira de Santana


Mais de 50 atrações vão animar o São João e São Pedro de Feira de Santana. Entre as atrações estão Gilberto Gil, Victor e Léo, Calcinha Preta, Saia Rodada, Cavaleiros do Forró e Amado Batista.

Em Feira de Santana a festa começa no dia 23 de junho, com a abertura do São João de São José (distrito de Maria Quitéria). O São João também será animado com shows musicais no distrito de Tiquaruçu.

A programação também contempla os festejos de São Pedro. A festa é comemorada nos distritos de Humildes, Bonfim de Feira e Jaíba. As festas também contarão com atrações locais e regionais.


São João de Maria Quitéria
23 a 25/06/2011

Quinta-feira 23/06/2011
Horário Atração
20:00 21:00 NILDO LEAL
21:15 22:45 KIXOTE E ESSE
23:00 00:30 V ICTOR E LEO
00:45 02:15 GIRIMUM COM MEL
02:30 03:30 J.SOBRINHO

Sexta-feira 24/06/2011
Horário Atração
20:00 21:00 KARRASCOS DO FORRO
21:15 22:45 CORAÇÃO ZABUMBEIRO
23:00 00:30 GILBERTO GIL
00:45 02:15 NENEM DO ACORDEON
02:30 03:30 BONDE DO FORRO

Sábado 25/06/2011
Horário Atração
20:00 21:00 CARACU COM OVO
21:15 22:45 MARCIA PORTO
23:00 00:30 SANDRO DE CASTRO
00:45 02:15 BONDE DO CALYPSO
02:30 03:30 CALCINHA PRETA



São Pedro de Humildes
30/06 a 02/07/2011

Quinta-feira 30/06/2011
Horário Atração
20:00 21:00 FORRO SAFADO
21:15 22:45 JOÃO ALMEIDA
23:00 00:30 AMADO BATISTA
00:45 02:15 LUA CHEIA
02:30 03:30 ARREIO DE OURO
TORRE DA LAPA

Sexta-feira 01/07/2011
Horário Atração
20:00 21:00 BEIJO ROUBADO
21:15 22:45 CAPIM MOLHADO
23:00 00:30 FRANÇA
00:45 02:15 AVIÕES DO FORRO
02:30 03:30 MAZINHO VENTURINY

Sábado 02/07/2011
Horário Atração
20:00 21:00 CHEIRO PERFUMADO
21:15 22:45 CARLOS PITA
23:00 00:30 TIMBAUBA
00:45 02:15 GAVIÕES DO FORRO
02:30 03:30 MULEKA SEM VERGONHA
KELVEN DO ACORDEON


São João Tiquaruçu
23 e 24/06/11


Sexta-feira 23/06/2011
Horário Atração
20:00 21:00 NU XOTE
21:30 23:00 SEM CALCINHA
23:30 01:00 PABLO
01:30 03:00 KINE E BETO


Sábado 24/06/2011
Horário Atração
20:00 21:00 LEO DE GENY
21:30 23:00 XOTE XODÔ
23:30 01:00 HELIO E JUNIOR
01:30 03:00 FY DA PESTE


São Pedro de Jaíba
01 e 02/07/2011

Sexta 01/07/2011
Horário Atração
20:00 21:00 LEO E SEUS TECLADOS
21:30 23:00 ROQUINHO DO FORRO
23:30 01:00 PABLO
01:30 03:00 MULHERES PERDIDAS

Sábado 02/07/2011
Horário Atração
20:00 21:00 FORROZÃO MÃE JOANA
21:30 23:00 XAMA MOLEKA
23:30 01:00 MAPHAIA
01:30 03:00 SAIA RODADA


São Pedro de Bonfim de Feira
02 e 03/07/2011


Sábado 02/07/2011
Horário Atração
20:00 21:00 XOXOTA Ê
21:30 23:00 CHICO OLIVIERA
23:30 01:00 CAVALHEIROS DO FORRO
01:30 03:00 FORROZÃO H D.COM


Domingo 03/07/2011
Horário Atração
20:00 21:00 BALÃO BEIJO
21:30 23:00 FORROZEIROS DO NORTE
23:30 01:00 SWTIAN RENDADO
01:30 03:00 KIXOTEANDO

terça-feira, 31 de maio de 2011



Fundação Carlo Barbosa oferece cursos de artes

Já estão abertas as inscrições para os cursos oferecidos pela Fundação Carlo Barbosa, cujas aulas deverão ser iniciadas no mês de junho. As vagas são destinadas a crianças e adolescentes na faixa etária entre 10 e 17 anos de idade. As matrículas são gratuitas e podem ser feitas na sede da instituição, sempre no período da tarde.

Nesta nova etapa serão oferecidos cursos de pintura em tela, desenho, pintura em perspectiva, papel maché, papietagem (trabalhos com papel) e mosaico em vidro. As aulas serão ministradas por artistas plásticos das respectivas áreas, duas vezes por semana, sempre à tarde. Os alunos também não terão despesa com o material a ser utilizado.

De acordo com a presidente da Fundação, Lucy Barbosa, os cursos são custeados com verbas provenientes do Fundo da Criança e do Adolescente, repassadas pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social. Ela destaca que o público alvo é formado por pessoas carentes.

“Os interessados devem fazer logo as inscrições, porque o número de vagas é limitado”, avisa Lucy Barbosa, acrescentando que as aulas deverão ser iniciadas até 15 de junho, impreterivelmente. Os cursos terão duração de dois meses. A Fundação Carlo Barbosa fica na rua Professor Leonídio Rocha, Centro. Telefone (75) 3223.4584.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Impunidade premiada

Por Madalena de Jesus*

Volta e meia encontro pessoas ainda indignadas com o desfecho da novela Passione, exibida até recentemente pela Rede Globo. Aliás, a sua substituta, Insensato Coração, já começou em clima policialesco, com direito a tentativa de sequestro de avião, ação abortada pelo mocinho da trama, vivido pelo ator Eriberto Leão, que mesmo sem saber pilotar aeronaves pesadas (ele mesmo disse) salvou todo mundo.

Confesso que tenho forte atração por novelas, como por qualquer narrativa que tenha início, meio e fim. Isso mesmo! Exatamente o que faltou na obra de Sílvio de Abreu: um fim decente para as histórias que ele criou, algumas sem qualquer traço de verossimilhança, é verdade, mas outras bem reais.

Extremamente cuidadoso em “guardar” a autoria dos crimes que acontecem em suas novelas (Quem matou Odete Hoitman?) e perfeito criador de situações de suspense (A Próxima Vítima), dessa vez ele exagerou nas duas fórmulas. Em entrevista a um programa de tv, Silvio disse que o assassino estaria entre Fred, personagem de Reinaldo Gianechini, e mais quatro figuras da trama que visitariam seu apartamento nos capítulos finais.

Aí começou a sua brincadeira de mau gosto com o público que lhe garante audiência no horário nobre e, por consequência, seu salário. Desfilaram pelo “moquifo” do mau caráter equivocado, que passou a novela inteira adorando um pai idem, personagens que já estavam com seus destinos traçados: Gerson, Danilo e Laura. O primeiro já de casamento marcado com a mocinha Felícia; o segundo recuperado do crack e ajudando outros viciados; e a terceira, foi peça fundamental para a família Gouveia recuperar a empresa.

E então? Quem sobrou? Tchan, tchan, tchan, tchan… Clara, é claro (o trocadilho é inevitável). Ela que chegou no apartamento do ex-namorado e ex-comparsa antes dele, quando o mesmo saiu da cadeia, e conforme uma cena de flash back, colocou a arma do crime atrás da geladeira. Bom, não foi falta de aviso. Clara prometeu se vingar, desde que o Fred lhe passou a perna na armação em que tomaram a herança de Totó, o filho bastardo da matriarca Bete Gouveia, a “mama brasiliana” que comeu o pão que o diabo amassou a novela inteira.

Em uma ideia magistral, Silvio de Abreu disfarçou um investigador de polícia de cantor, fez que matou o ítalo-brasileiro simpático e até então babaca, que era enganado pela vilã gostosa e irrecuperável. E mais: deu sinais de que o mesmo assassino de Saulo Gouveia teria sido o algoz de seu pai, Eugênio Gouveia, que assim como ele não era flor que se cheirasse.

O que o autor esqueceu foi de contar o principal. Somente Clara, a assassina, e Fred, o marginal que tinha muito que pagar, mas acabou pagando pelo que não fez, ficaram sabendo do final da história. E o público, que assistiu, estarrecido, uma pobre garçonete ser acusada de roubo e morrer “de graça”, um drogado que entrou sem que nem para que na trama e foi simplesmente esquecido, e uma vilã que se safa de forma espetacular, faz que morre e reaparece em outro lugar, pronta para fazer tudo de novo, premiada pela impunidade.

Bem que dizem que a arte imita a vida. Ou seria o contrário?

*Madalena de Jesus é jornalista e professora.