quinta-feira, 25 de agosto de 2011

VENCEDORES DO XI CONCURSO FEIRENSE DE FOTOGRAFIAS

Categoria Profissional






Categoria Amador











Os vencedores do XI Concurso Feirense de Fotografias foram divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Sindicato dos Fotógrafos Profissionais de Feira de Santana (SINDFOFS). Foram premiados 10 participantes, entre amadores e profissionais.

Na categoria amador, o primeiro colocado foi Luciano Boaventura Nunes da cidade de Conceição do Coité; o segundo lugar foi Fernando Sampaio Alves de Feira de Santana. O terceiro e quartos lugares ficaram com a Rafael Barreto Vieira e Liluide Cruz Pereira, ambos de Feira de Santana. Ramon Souza Mamona, também de Feira, foi classificado como quinto colocado.

Entre os profissionais, a primeira posição foi conquistada pelo fotógrafo Antonio Carlos Santos Vieira de Feira de Santana, que também foi premiado com o terceiro lugar, concorrendo com outro trabalho. A segunda colocação ficou com José Angelo Pinto, também de Feira de Santana e o quarto lugar foi para Cid Costa Neto de Belo Horizonte, Minas Gerais. Luiz Osvaldo Mascarenhas ficou com o quinto lugar.

A solenidade de premiação dos vencedores será realizada na próxima segunda-feira (22), às 18h30, no Center Photos, situado na avenida Getúlio Vargas, nº 361. As fotografias vencedoras ficarão expostas até o dia 31 de agosto no Museu Parque do Saber. A exposição de fotografias é alusiva ao Dia Mundial da Fotografia, comemorado nesta sexta-feira (19). A data marca os 171 anos de descoberta ou invento da fotografia

O concurso organizado pelo Sindicato dos Fotógrafos Profissionais de Feira de Santana (Sindfofs), contou este ano com a participação de mais de 100 fotografias de diversos estados como Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e de diversos municípios baianos como Feira de Santana, João Dourado, Salvador e Conceição do Coité.

Para o presidente do Sindicato dos Fotógrafos, Antonio Carlos Magalhães, nesta edição do concurso foram apresentadas fotografias de extrema qualidade artística. “A fotografia para o profissional não é só trabalho, mas uma maneira de expressar a sua arte”, ressalta.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

QUEM SABE, SABE


Por Madalena de Jesus 














Dia desses surgiu uma dúvida durante conversa com um amigo, também da área de comunicaçã,o sobre a palavra terraplenagem. Ou seria terraplanagem? Pois é, a dúvida era exatamente essa. De pronto eu apelei para a velha estratégia: “Não tenho certeza, mas acho que as duas formas estão corretas”. O fato é que eu achava mesmo. A consciência doeu. Não tanto pelo fato de ser jornalista. Poxa vida, sou professora – e de Português e Literatura, ainda por cima – e não fica nem bem continuar na dúvida. 

Fui à luta, quer dizer, à pesquisa. E sabe o que encontrei? Vou reproduzir textualmente o que está lá no site deamorim.com.br: “A forma preferencial do termo é terreplenagem, no entanto devido ao fato do processo de encher de terra uma depressão ou escavar áreas mais elevadas se relacionar diretamente com tornar plano um terreno, a palavra terraplanagem aparece em alguns dicionários da língua portuguesa como uma variante popular de terraplenagem”. 

E mais. O site explica que “terraplenagem é o ato de terraplenar, logo, é escavar ou encher de terra uma área, deixar o terreno aplainado ou em platôs bem definidos. Esta operação consiste em um conjunto de operações de escavação com transporte, espalhamento e compactação de terras. Tem como objetivo atender projetos topográficos, movimentando quantidades de solo para reforçá-lo ou torná-lo seguro”. Moral da história: Quem sabe, sabe; quem não sabe vai pesquisar para aprender.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A CULTURA VAI ÀS RUAS












A foto é de Gleidson Santos.



Para os insistentes na ideia de que Feira de Santana não tem cultura, a resposta veio em forma de um belo e movimentado desfile que tomou conta da avenida Getúlio Vargas na manhã de domingo (21).

A XII Caminhada do Folclore reuniu as mais variadas formas de manifestações culturais. Samba de roda, bumba-meu-boi, capoeira, reisado, repentes foram algumas dentre as muitas linguagens levadas para a rua.

Foram 106 grupos folclóricos ao todo. No desfile e na platéia, gente de todas as idades para ver de perto a valorização da cultura regional. O gosto é de comemoração do Dia do Folclore (22 de agosto).

A iniciativa é da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), através do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), com apoio da Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Fundação Cultural Municipal Egberto Tavares Costa.

OBSTINADA PELA VONTADE DE VIVER











Flailton Frankles ao lado de Cida e Victor, na Pousada Madre Paulina, em Barretos (SP)


'Voltei fortalecido e espero que nosso encontro tenha feito a ela o bem que fez a mim'. A declaração carregada de emoção é de Flailton Frankles, que na semana passada esteve em Barretos para visitar a jornalista Aparecida Machado, que se encontra em tratamento de um câncer naquela cidade.

Flailton Frankles diz que tem fortes vínculos de amizade com Cida e conta que passou pouco mais de uma hora com ela, no intervalo entre compromissos de trabalho no estado de São Paulo. O objetivo da visita, segundo ele, foi levar esperança, fé, otimismo e, sobretudo, muito carinho.

Mas, durante o pouco tempo que estiveram juntos, Flailton afirma que Cida precisava apenas do último item da lista. “Ela está em paz, obstinada pela cura e pela vontade de viver”, ressalta o amigo que sempre contou com o apoio de Cida na sua atividade profissional, seja na 3ª Ciretran, no Tribunal de Justiça e na Polícia Militar. Eles visitaram a Capela de Madre Paulina onde oraram pelo seu retorno.

Por Madalena de Jesus

domingo, 21 de agosto de 2011

SE ESCOLA FOSSE ESTÁDIO E A EDUCAÇÃO FOSSE COPA









Jorge Portugal é educador, poeta e apresentador de TV. Idealizou e apresenta o programa "Tô Sabendo", da TV Brasil.

Passeio, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.

Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o "circo da copa" em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.

Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É... pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?

E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao Senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal. Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá... parado, quieto, na gaveta de algum relator.

O outro projeto, do mesmo Cristovam, é uma verdadeira "bomba do bem". Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que "daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da República serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino". E então? Já imaginaram o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas, sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator. E não anda. E ninguém sabe dele.

Desafio ao leitor: você é capaz de, daí do seu conforto, concordando com os projetos, pegar o seu computador e passar um e-mail para o senador Valadares (antoniocarlosvaladares@senador.gov.br) pedindo que ele desengavete essa "bomba do bem"? É um ato cívico simples. Pela educação. Porque pela Copa já estamos fazendo muito mais.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

COLBERTZINHO E A DIGNIDADE QUE MERECE RESPEITO
















Por Jozailto Lima, jornalista e poeta



O exercício de quase 30 anos de jornalismo fundou em mim, e geralmente em todos os meus companheiros desta atividade, uma concepção de que a defesa é algo bem difícil. Imprudente. Fomos preparados para viver da suspeição, do erro alheio e da sua exposição. Não por mero masoquismo, mas pela presunção de que o erro exposto ajuda a corrigir rumos e evitar os danos da sua repetição. Infelizmente, ou felizmente, esta é a anatomia elementar da atividade. Jornalismo gracioso é a coisa mais desengraçada do mundo. Não serve a ninguém, nem a nada.

Faço este preâmbulo para dizer que incomodou-me, constrangeu-me e desagradou-me a notícia da prisão do cidadão e homem público Colbert Martins da Silva Filho, que está eventualmente secretário Nacional de Desenvolvimento de Programas do Ministério de Turismo. Incomodou-me porque Colbert Filho não é da laia dos homens que se deixem enquadrar em práticas que lhe valham uma prisão. Uma detenção qualquer.

E ao fazer esta revelação, dou-me a uma rara concessão jornalística da escrita em defesa. Mas não me dói na consciência fazê-lo. Quem conhece Colbertzinho, desde a cepa paterna do Colbertzão pai dele, sabe que é homem de caráter bom. De ação ética. Um camarada tão curtido a bons princípios políticos que, às vezes, constrói dificuldades até contra ele mesmo, de tão austero que é. De tão retilíneo como se põe e posta frente a certos atos da política, o que talvez justifique o fato de ele nunca ter chegado, ao contrário de seu pai, a ser prefeito de Feira de Santana – cargo que lhe é devido.

Sei, à distância, porque vivo hoje em Aracaju, Sergipe, depois de 11 anos nesta boa terra feirense que foi meu primeiro berço jornalístico, que os habitantes desta fantástica cidade e dos demais municípios baianos onde Colbertzinho é conhecido e votado como candidato a deputado federal, devem ter se contrariado sobremaneira com a prisão dele – já devida e tardiamente relaxada.

E não é para menos: quando algo de ruim e ilógico acontece a alguém de bem, as demais pessoas de bem se ofendem. Sentem-se aviltadas. Sou capaz de apostar que neste momento as lideranças notáveis do seu oposto em Feira, como José Ronaldo de Carvalho, ou Tarcísio Pimenta (com quem não convivi em minha estada por aqui), devem estar chateadas e não felizes com o que ocorreu a Colbertzinho. Porque discordam da ação da polícia. E porque sabem que ele não é gestor de ir pelo caminho errado.

Colbert Martins da Silva Filho pagou um preço caro porque o braço do Ministério do Turismo que ele representa desembolsou R$ 900 mil para resgatar uma fatura que não deveria ter sido paga. É grave, sim. Mas todos nós gestores, eu o sou, como diretor de Jornalismo de um jornal grande, corremos o risco de apor uma assinatura numa coisa que não seja bem calçada. Não deve ocorrer, mas ocorre. Sou capaz de colocar a mão no fogo que Colbertzinho não fez aquilo com intenção dolosa. Com propósito de lesar o erário. De tirar vantagem. Porque seria um ato que macularia a sua história. E por ela, ele vela bem.

Portanto, o erro da sua pasta, e que seja lá dele, deveria ter sido tratado com outro rigor. Corrigido internamente. Reposto ao erário aquilo que do erário jamais deveria ter saído. Nunca e nem jamais serei contra a que se combata a corrupção e os corruptos. Aliás, nisto o Governo Dilma Rousseff está sendo exemplar, muito mais ativo do que o de Lula - sem querer entrar no mérito das ações que tentam opor um ao outro. Mas é preciso olhar na cara do trigo e não confundi-lo com o joio. Colbert Martins da Silva Filho não merece isto, porque não tem a menor simetria e nem familiaridade com a corrupção.

Celso Leal, procurador da República, parece ter chegado atrasado quando diz que não houve provas robustas contra este feirense. Este tipo de constatação tardia engendra mais injustiça do que justiça. Ora, se não havia robusteza, por que houve a prisão? Para o mero exercício da exposição pública? Vivemos ainda o tempo em que se dá o soco e depois pergunta-se quem é mesmo o agredido?

É claro que, deste episódio todo, deve ficar um travo amargo no extrato do espírito de Colbertzinho, um sujeito que passou batido legalmente por toda uma vida. E fica ainda a constrangimento dos familiares e dos amigos, embora devamos todos, sem complexo de Pollyanas, admitir que quando se perpetra uma injustiça contra uma pessoa justa, esta se faz mais justa ainda. Naturalmente os amigos, Colbertizinho, saberão apagar as marcas desta desastrosa ação, mesmo porque ela se fez sobejamente desnecessária, abusiva e ofensiva. Bom repouso. Retoque os riscos da alma e reponha de volta as mulas no caminho da marcha.

Jozailto Lima é diretor de Jornalismo do jornal Cinform, em Aracaju, Sergipe. Ele foi repórter de Política do Feira Hoje por oito anos (de 1983 a 1990) e trabalhou na TV Subaé. jozailto@conform.com.br ou jozailto@terra.com.br.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ESSE COLBERT É SANTO?












Por Levi Vasconcelos




Andando pelos corredores da Câmara semana passada, o jornalista Walter Xéu encontrou colegas que atuam em Brasília:

- Walter, me diga uma coisa: esse Colbert é santo?

- Não. Quando está invocado passa e não fala com ninguém, não é de dar tapinhas nas costas e nem de sair distribuindo beijinhos com o povão. Politicamente é pé duro, mas não é ladrão.

O episódio reflete o misto de perplexidade (e incredulidade) que invadiu os que conhecem Colbert Martins, preso e algemado pela Polícia Federal pouco mais de três meses depois de assumir o cargo de secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo do Ministério do Turismo.

Teria Colbert Martins, pessoa que pautou toda a vida pela seriedade no que contrata ou combina, virado corrupto nesse curto espaço de tempo?

Quando a Polícia Federal apareceu na frente dos jornalistas, em Brasília, a pergunta (cada jornalista tem direito a uma) saiu de bate pronto: como é que a investigação vem desde 2009 e Colbert, que tem apenas três meses no cargo, pode estar envolvido?

Resposta do porta voz da PF:

- Não vou falar sobre isso porque o processo corre em segredo de justiça.

Em suma, só havia um caminho, acreditar nele. Não deu. Em Feira, terra de Colbert, a mídia e o mundo político afiançaram pela honradez do acusado. Em Brasília, líderes de todos os partidos no mínimo manifestaram solidariedade, às vezes criticando a ação da PF, outras duvidando da veracidade dos fatos expostos na mídia.

Em qualquer caso, o consenso sobre um velho debate que voltou à tona: o exagero. Exibir para a mídia um Colbert algemado indignou a própria presidenta Dilma, que qualificou o episódio de 'um acinte'.

Se Dilma ficou indignada, por que não evita tais situações? Presidente só prende gente em ditaduras. Num regime democrático, quem prende é a polícia. Ela fez o que julgou que podia, mandou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que é quem comanda a PF, falar para 'conter os excessos'.

A indignação presidencial de nada adiantou, ao que parece. Na sequência, a PF deixou vazar fotos de Colbert e outros implicados nus, ostentando no peito aqueles números que os carimbam com o fichário de bandidos.

O episódio suscita algumas reflexões.

Não que se queira preservar autores de crimes de colarinho branco, mas cabe perguntar: é preciso algemar pessoas que nunca usaram um alfinete como arma, gente que não ofereceria resistência a uma ordem de prisão, e exibi-las para os fotógrafos?

Partindo-se da presunção de que a ação foi absolutamente correta, dentro dos rigores da boa prática policial, em tais casos, impõe-se a execração pública. Talvez por ser o Brasil como é – um país em que a Justiça, com o seu emaranhado de possibilidades processuais, parece extremamente generosa com acusados de crimes de colarinho branco (quase sempre resultam em impunidade) –, seja esta a única punição efetiva.

VAZAMENTO QUE CONVÉM

A polícia aí estaria aí acusando e punindo. Satisfaz a alguns. Todavia, como é que fica quando a polícia, por imperícia ou seja lá o que for, está errada? Quando humilha, execra, bota o carimbo de bandido, mas não prova o que diz?

No caso Colbert, ante o clamor geral, a PF usou uma estratégia também conhecida. Driblou o tal segredo de justiça deixando vazar algumas informações na tentativa de incriminá-lo midiaticamente. Só a título de ressalva, bom lembrar que tais vazamentos são por si duvidosos. Não se dá acesso à plenitude do inquérito e sim apenas ao que convém ao 'vazador'.

Veja o trecho do que vazou do relatório:

"Abadia, assessora de Colbert, fala sobre o cancelamento de convênios (com dinheiro de restos a pagar) de 2007, 2008 e 2009 que ainda não iniciaram. Colbert afirma que precisa analisar os de 2009 para decidir quais serão realmente cancelados, citando alguns exemplos, entre eles o Amapá 2, dizendo que seria problemático cancelar, pois seria do interesse de Sarney. Conclui-se, assim, que o período analisado ajudou a desvelar os motivos pelos quais os funcionários do Ministério do Turismo não acompanharam devidamente a execução do convênio sob investigação, deixando ocorrer várias irregularidades em sua execução".

Em termos políticos, mostra um Colbert preocupado em preservar os interesses de Sarney, presidente do Senado e senador pelo Amapá, o Estado dos implicados. Em termos criminais, não diz nada.

O próprio Sarney, ao ser abordado, disse que o problema não era político e sim de polícia. Não é só. Agora é de justiça também. E aí se desnuda outra situação: o procurador da República, Celso Leal, admitiu não incluir na sua denúncia Colbert e o ex-presidente da Embratur, Mário Moysés: 'Não haveria provas robustas'.

Como já indagado acima, e agora, como fica? Colbert e o Mário ficam com o prejuízo moral e ponto? A regra tem sido essa, o humilhado fica com a sua humilhação.

ESTRAGO RECONHECIDO

A PF já tem no seu currículo um largo cabedal de operações que renderam mais holofotes do que resultados práticos. E em muitas, fez vítimas inocentes. Em abril último, o juiz federal Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro Alves, de Santa Catarina, condenou a União a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais ao empresário Roberto Carlos Castagnaro, preso e acusado de lavagem de dinheiro e associação para o tráfico de drogas em 2006.

Na sentença, o magistrado diz: "Apesar de toda a exposição midiática negativa sofrida pelo autor, o Ministério Público Federal não encontrou elementos probatórios da prática do crime de lavagem de dinheiro e pugnou pela sua absolvição".

Claro que R$ 50 mil não pagam o estrago moral. Mas é o primeiro caso de reconhecimento judicial dos excessos da PF, o que deveria servir de lição para uma instituição tão acreditada, que desserve a si e à sociedade quando comete erros a esse ponto.

Da PF espera-se, como polícia de escol, que uma acusação seja robusta o suficiente para gerar ação judicial de densidade induscutível. A própria Operação Voucher virou um exemplo maldito. Havia falcatruas no Ministério do Turismo? Pelo que diz a PF, e disso não se pode duvidar, claro que sim. Os responsáveis devem ser responsabilizados e punidos? Também é óbvio. Mas na Bahia, o que dominou as atenções foi o caso Colbert, com fortes indicativos de ter sido vítima de mais uma injustiça.

Ou seja, só foi apanhado, preso e algemado porque estava lá no cargo.
Faltaram investigações específicas que o incriminassem ou não. Passou o que passou apenas por assinar papéis de processos de pagamento que já estavam em andamento desde muito antes dele estar lá. Os bandidos de fato e de direito acabam se beneficiando com os injustiçados.

Da mesma forma que a PF bota todos no mesmo balaio, a sociedade dá a recíproca à altura. Passa a duvidar de tudo.