quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

DESCULPEM, MAS EU VOU CHORAR




Eu não imaginei que seria tão difícil me despedir de vocês. Mas foi. Tanto que depois de várias tentativas, quase desisti de escrever uma mensagem de agradecimento a toda equipe que ao longo desses 19 meses compartilharam comigo esse espaço de convivência diária.

Aqui, na redação da Secom, vivemos todas as emoções. Literalmente. Vibramos com os bons textos produzidos, nos indignamos com o tratamento dado por algumas fontes, choramos o problema do colega, sorrimos das piadas de outros, sofremos perdas e comemoramos vitórias. Sempre juntos.

Mas na hora de fechar a conta, sabemos que os momentos de alegria e prazer foram infinitamente maiores do que os de tensão e estresse. Porque a vida é assim mesmo. Não existe mar de rosas. Mas cabe a cada um de nós valorizar o que é bom e abstrair o que é ruim.

Para mim, especialmente, a experiência foi enriquecedora, no mais amplo significado da palavra. Exerci, como nunca em minha vida, as quatro operações matemáticas. Aprendi a somar resultados, dividir dúvidas, diminuir problemas e multiplicar amizades.

Com os amigos de antes, os laços foram fortalecidos. Com os novos, foram criados com força semelhante. Os defeitos – todos nós os temos – fazem parte da labuta diária. O que não podemos, nem devemos é transformá-los em obstáculos para o relacionamento. E isso praticamos como gente grande ao longo desse período.

Se eu pudesse levaria a nossa equipe para onde quer que eu fosse. Como não posso, levarei comigo o melhor de cada um: a disponibilidade permanente de Lorenna, Gleidson e Washington; a preocupação com a qualidade de Bernardo; a dedicação de Kenna; o comprometimento de Bethânia; a responsabilidade de Nilzete; a assiduidade de Ivana; a pontualidade de Dani e Iolanda; o empenho de Diego, Ricardo e Lourenço; o desejo de fazer de Bárbara; a bondade de Anete; o profissionalismo de Ordacshon; a sinceridade de Flamengo; a tranquilidade de Linéia; e o carinho de Lucidalva.

Não posso esquecer Cristiane, competência a toda prova, Jorge Magalhães (e aí casca de bala?), ACM e Renata. Ah! Sim, tem ainda Valdenis e Elcio, este o grande parceiro das jornadas extra na Micareta, no São João e na Expofeira. E os agregados Orisa e Barretinho, sempre presentes, principalmente nos momentos festivos. Também passaram por aqui os estagiários. E abro um parênteses para citar Rodrigo, Naiara e Igor, além de Michele, lá do Meio Ambiente, mas em contato permanente.

Deixei Fabrício para o final, de propósito. A ele, com toda pressão e exigência para obter o melhor da equipe, até o último momento, só tenho a agradecer. Pela oportunidade de retornar à minha secretaria de origem, pela confiança em me entregar uma equipe desse quilate para coordenar e por dividir comigo a responsabilidade de gerir a Secom.

No mais, fica a certeza de que valeu muito a pena e que cada um fez a sua parte. E agora, prestes a fechar a porta da redação e deixar a chave na sala da Guarda Municipal, aqui ao lado, vou fazer o que passei os últimos dias evitando, inclusive hoje, em cada abraço de despedida. Desculpem, mas eu vou chorar...

Madalena de Jesus (Texto escrito no dia 28 de dezembro de 2012)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

TRIBUTO A LUIZ GONZAGA


 
 
O Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca) promove, nesta quinta-feira (13), a sexta edição do Tributo a Luiz Gonzaga, a partir das 19h30. Trata-se de homenagem a uma das mais criativas e emblemáticas figuras da cultura nordestina que comemora 100 anos. O espetáculo será no Teatro de Arena do Cuca e terá entrada franca.

Com o tema, 100 anos de “seo” Lua, o espetáculo vai reunir os artistas feirenses Timbaúba, Baio do Acordeon, Cescé, Nenem do Acordeon, J Sobrinho, entre outros. Contaremos ainda, com a participação do Grupo de Câmara e balé do CUCA, com temas nordestinos e um espetáculo de teatro.

No foyer do Teatro haverá ainda com uma exposição que retrata a vida do Rei do Baião.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A FÉ QUE MOVE AS PESSOAS









Eu sempre tive fascínio por procissão. Aquela multidão seguindo a mesma direção, movida pela fé. Pedindo ou agradecendo, todos ali unidos pelo mesmo sentimento. Até me arrisco a entoar alguns daqueles versos guardados na memória desde a infância.

Quando menina, ia com minha mãe e meus irmãos para a Festa de Nossa Senhora da Conceição, no Picado, distrito de Conceição do Jacuípe (Berimbau). Passávamos o dia inteiro correndo em torno da praça – imensa para nossa visão de pequenos habitantes da Fazenda Salgado.

A festa de 8 de dezembro era aguardada com muita expectativa. Minha mãe fazia duas roupas novas – uma para a missa, pela manhã, e outra para a procissão, à tarde – para todos os nove filhos. Também ganhávamos sapatos novos, que mostrávamos com orgulho para nossos colegas, igualmente paramentados.

A programação sempre ia além da Igreja. No tempo em que a escola era verdadeiramente uma extensão da família, era obrigação (muito prazerosa, é bem verdade) passar pela casa das professoras – Noêmia, Solange, Maria e Olga. Ah, minha professora querida, com quem tenho, ainda hoje, uma relação de muito carinho.

Pois é, tudo isso eu vi passar como um filme em minha cabeça sábado passado (8), durante a missa celebrada – e cantada, como nos velhos tempos – pelo padre Morais, na Igreja onde fui batizada e fiz a primeira comunhão. Eu estava ao lado da professora Olga, minha mestra no mais amplo sentido da palavra, com quem almocei depois, relembrando os bons momentos.

Me vi vestida de anjo coroando a imagem de Nossa Senhora, levando flores para o altar, rezando aqueles hinos que hoje nem lembro direito os versos, mas me emocionam do mesmo jeito. Ali, em frente ao altar de Nossa Senhora, eu dei vazão ao sentimento de ternura que me tomou. E chorei.

Também chorei à tarde, quando já em Berimbau, vi a saída da procissão da Igreja. Resolvi registrar a passagem dos dez andores, entre eles os de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida e Santa Bárbara, levados por pessoas visivelmente tomadas pela fé. Tanto que nem sentiam o peso. A leveza da alma era bem maior.

Madalena de Jesus




segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PASSEIOS DE FIM DE TARDE NO QUADRADO























Escrever um texto sobre os dias que passei em Trancoso (Porto Seguro), com direito a uma chegadinha em Arraial D’Ajuda, lugar que não perde seu encanto nem para a forte chuva que caiu o sábado inteiro, não me saiu da cabeça desde que retornei. Imaginei mil formas de transformar em palavras as imagens que minha memória e a máquina fotográfica registraram. E aqui vai um breve relato.

As companhias na viagem já seriam suficientes para uma bela programação: Minha filha Bárbara e minhas amigas queridas Socorro (Pitombo) e Sueli. Como se não bastasse o destino maravilhoso, uma parada estratégica para pernoite em Itabuna e a recepção perfeita de outra grande amiga, Vera Rabelo, ao lado de Fred e mãe Alda. Tudo perfeito.

Mas perfeição mesmo encontrei lá, em Trancoso, que em algum momento me lembrou os caminhos de terra batida (antes do calçamento chegar) de Imbassaí. As pousadas, todas elas, pareciam convidar para uma visita, mas foi na Aldeia das Cores a parada final. Quer dizer, inicial para a estada de três dias previamente agendada.

Se as praias são lindas, o que dizer do Quadrado? A igrejinha, que muitas vezes vi em postais e lembrancinhas de amigos que passavam por lá e que eu defini como o quintal da casa de Deus; os restaurantes embaixo das árvores, as lojinhas, a simpatia das pessoas – turistas ou nativos... Tudo isso torna aquele lugar único.

Aliás, o encontro com pessoas de todos os cantos do país (Minas Gerais, Brasília, Salvador) foi um dos pontos altos do feriadão. Sem falar no tratamento na pousada, capitaneado pela bela e exuberante Vanusa, cuidadosa com todos os detalhes. Estes, sim, fazem a diferença e deixam aquela sensação de que o tempo passou rápido demais.

Se voltarei àquele paraíso disfarçado de ponto turístico no Sul da Bahia, não sei. Mas jamais esquecerei os momentos ali vividos, cercada pela beleza natural das praias e manguezais e pelo clima bucólico do pequeno vilarejo. Tanto que, todos os dias, no finalzinho da tarde, esteja onde estiver, sempre lembrarei dos passeios no Quadrado...

Madalena de Jesus

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

FLASH BACK




























A saudade é uma máquina do tempo
Que consome o presente.
O futuro? único refugio.
Nenhuma marca da madrugada passada
Um pedaço de mim dobra a esquina.
Não havendo segredo para nosso disfarce
Havendo calor no teu impossível
Derretera meus sentidos
Esse fantasma convive neste mesmo plano, nos esbarramos em vidas passadas?
Acordo assustada!
Dia, mês, ano? confusão.
Ainda detalhes que havia perdido.
Coisas pequenas tomaram formas, grandes formas!
Acúmulo da ausência.
Construíram um edifício, na quadra vazia.
Não sei onde ficou a fantasia, transição.
Dúvidas que se prolongam no espaço...
Não consigo deixar, meu coração permanece em 92.

Outra forma de ver e sentir.

Renata Reis

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SUA EXCELÊNCIA, O LEITOR






Os cariocas Viviane Lordello e Lindenberg Moreira queriam compartilhar com os amigos os livros de que gostavam quando criaram em 2009 o Skoob ("books" ao contrário), a primeira rede social brasileira destinada a leitores de livros. Desde então, encontrar outras pessoas na internet que leram os mesmos livros para trocar experiências, críticas e até recomendar outras leituras se tornou um hábito mais simples. Afinal, quando um livro é bom, há a necessidade de compartilhá-lo com o mundo.


Viviane conta que o Skoob foi criado para atender um grupo de amigos que queria uma alternativa online para falar de livros. Não demorou muito para que outras pessoas com a mesma necessidade se cadastrassem. Na primeira semana, 2.500 pessoas entraram para a rede. "Foi nesse momento que percebemos que havia muita gente esperando uma rede social específica para leitores", diz ela.

Com uma interface simples, o Skoob permite ao usuário listar os livros que leu, os que está lendo e os que quer ler. Também é possível apontar os livros que foram relidos e os abandonados. Há ainda a possibilidade de publicar resenhas elaboradas, divulgar o andamento da leitura e interagir com usuários que estão lendo o mesmo livro. Para aproximar leitores que têm gostos similares, a rede social ainda permite a criação de grupos que funcionam como fóruns de discussão.

"Ler é quase sempre algo que fazemos de forma solitária. Geralmente gostamos de comentar o que estamos lendo, mas é difícil encontrar pessoas que estejam lendo o mesmo livro dentro do nosso ciclo de amizades", afirma Viviane.

O site é uma paixão para a jornalista e blogueira Juliana Oliveto, de 23 anos. Criadora do site Livros e Bolinhos, Juliana usa o Skoob desde 2009. "Gosto dele pela organização que me proporciona. Posso marcar a data em que li cada livro, por exemplo. Gosto da praticidade de reunir as informações da minha estante e para poder contar quantos livros li por ano", diz.

O Skoob não é a única ferramenta do tipo. Similar a ele, o Goodreads é o pioneiro das redes sociais literárias nos Estados Unidos. O site foi desenvolvido em 2007 pelo norte-americano Otis Chandler, que diz ter tido a ideia quando passava os olhos pela estante de livros de um amigo, procurando um livro para ler. "Percebi que quando quero uma dica de leitura recorro a um amigo e não a um desconhecido em uma lista de bestsellers", disse Chandler à reportagem. "Então pensei em criar um site para ver a estante de todos os meus amigos e descobrir o que eles acharam de todos aqueles livros."

O Goodreads também permite criar uma estante virtual, que pode ser vista por todos os amigos do usuário na rede. Os títulos podem ser divididos em prateleiras temáticas ou nas categorias "li", "lendo" ou "quero ler". Também é possível compartilhar resenhas, comentários e criar grupos de discussão.

Descobertas. Além de compartilhar experiências de leitura, ambas as redes sociais possibilitam o compartilhamento de livros. No aplicativo para iPad e iPhone, o Goodreads oferece o download gratuito de títulos que já estão em domínio público. Chandler afirma que também foi pensando no mercado de e-books que a rede foi desenvolvida. "Comprar livros é algo que está migrando para o meio online. As pessoas precisam encontrar uma maneira de descobrir livros online, o que é um desafio muito maior do que avaliar os títulos em uma estante."

Além disso, Chandler cita a publicação independente como um outro fator importante para o uso das redes sociais na descoberta de novas leituras. "Se você perguntar a uma editora ou a um autor qual é o principal problema da indústria hoje eles vão dizer que é a ‘descoberta’. O Goodreads ajuda pessoas a descobrir novos livros por meio de amigos, da comunidade e de nossa ferramenta de recomendações." Com base nas avaliações do usuário, o Goodreads cria uma seleção de títulos de gêneros, temas e autores semelhantes aos listados como favoritos.

No Skoob a descoberta vai além. O site tem um espaço exclusivo para trocar livros. Os usuários podem divulgar os livros que têm e querem trocar e aqueles que gostariam de receber. "Uso o Skoob apenas para troca de livros. Não atualizo meu perfil com frequência e nem tive tempo para montar a minha estante", diz a professora de inglês e tradutora Tatiana Feltrin, de 30 anos, que faz resenhas de livros no YouTube.


O espaço também é usado por editoras, que fazem promoções para os usuários do Skoob. Responsável por algumas das obras favoritas do público da rede social, como os livros da série Harry Potter, a editora Rocco usa a ferramenta em seu favor. Para Cíntia Borges, gerente de comunicação da empresa, as promoções fazem o livro chegar a leitores em potencial. "Alguém que deseja ler o que produzimos pode funcionar como um porta-voz informal e espontâneo de nossos livros", diz.

Cada ação promovida por uma editora tem em média 5 mil participantes interessados em uma cópia do livro, o que colabora para a divulgação do título. Os gêneros variam de autoajuda, literatura infanto-juvenil e até mesmo biografias.

Seja para compartilhar experiências, descobrir novos títulos ou conhecer novos amigos, redes sociais são importantes ferramentas nesse processo. "As pessoas não querem apenas ler, mas também compartilhar suas opiniões. E sem a internet não vejo como isso poderia acontecer", afirma Juliana Oliveto.

PARA DISCUTIR

SKOOB - Criado em 2009, tem 725 mil usuários cadastrados e permite criar uma estante virtual, compartilhar resenhas, participar de discussões e trocar livros. www.skoob.com.br;

GOODREADS - Criado em 2007, tem 11 milhões de usuários cadastrados. Permite montar estantes virtuais, compartilhar resenhas e recomendar livros aos usuários. www.goodreads.com

(Estadão)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CANTO FINAL



























No círculo de pedra vaga o leão sangrento,
entre sombra, desejo e cansaço.

Pelos dentes a saliva lubrifica a fome
... e ele arde, rosnando solitário no paraíso.

Devagar percebe que lhe vão caindo os dentes,

( a vasta juba de fogo esfria em pelos brancos )

Devagar lhe caem as unhas, as vontades
caem as lembranças mais felizes.

O leão covarde geme e chora,
Falta-lhe o bando, falta-lhe aquilo que ficou para trás

o rugido imponente que se perdeu pelo caminho

Mas o leão resiste e avança pela estepe com o pouco que lhe restou,

a lembrança do filho, a derradeira glória, a pouca e valiosa fé.


Ronald Freitas (Cadafalso.2012)