sábado, 15 de agosto de 2015

UTOPIA



Das muitas coisas
Do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança
O aconchego de meu lar
No fim da tarde
Quando tudo se aquietava
A família se ajeitava
Lá no alpendre a conversar

Meus pais não tinham
Nem escola, nem dinheiro
Todo dia, o ano inteiro
Trabalhavam sem parar
Faltava tudo
Mas a gente nem ligava
O importante não faltava
Seu sorriso, seu olhar

Eu tantas vezes
Vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado
Um por um ele afagava
E perguntava
Quem fizera estrepolia
E mamãe nos defendia
Tudo aos poucos se ajeitava

O sol se punha
A viola alguém trazia
Todo mundo então pedia
Pro papai cantar com a gente
Desafinado
Meio rouco e voz cansada
Ele cantava mil toadas
Seu olhar ao sol poente

Passou o tempo
Hoje eu vejo a maravilha
De se ter uma família
Quando tantos não a tem
Agora falam
Do desquite e do divórcio
O amor virou consórcio
Compromisso de ninguém

E há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho entre seus pais
Se os pais amassem
O divórcio não viria
Chamam a isso de utopia
Eu a isso chamo paz.

Padre Zezinho

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CORDEL DA CERTIFICAÇÃO (E VIVA SÃO JOÃO!)



OLÁ MONITORA KELLEN
VAMOS BRINCAR O SÃO JOÃO
MILHO, LICOR E CANJICA
FAZ PARTE DA TRADIÇÃO
PAMONHA FORRÓ E BAIÃO
O SANFONEIRO TOCANDO
EITA, VIVA SÃO JOÃO!

O GOVERNO DO PT
PENSOU NA EDUCAÇÃO
SE O PROFESSOR NÃO SE RECICLA
RECEBE AUMENTO NÃO
LEVOU O PROFESSORADO
A SE INSCREVER COM LOUVOR
NA TAL CERTIFICAÇÃO

A TRABALHEIRA FOI GRANDE
ATÉ CHEGAR A CONCLUSÃO
DESTE CURSO DO ESTADO
NA FORMAÇÃO DE CIDADÃO
A INCLUSÃO DIGITAL
LEVOU ALUNO E PROFESSOR
A INTERAGIR COM EMOÇÃO

FORAM DOIS ANOS DE LUTA
MAS CHEGOU A CONCLUSÃO
TANTAS ATIVIDADES A RESPONDER
E LEITURA DE MONTÃO
TUDO POR UMA BOA CAUSA
A BAHIA MANDOU BEM
MELHORANDO A EDUCAÇÃO

MAS AINDA ASSIM PRECISA
SE FAZER É MUITO MAIS
SÓ DESENVOLVE UM PAÍS
SE SEU POVO FOR LETRADO
MUITO BEM MONITORADO
INCLUÍDO CIDADÃO
NUMA BOA EDUCAÇÃO

RECICLAR O PROFESSOR
É BOM, VOCÊ PODE VÊ
MAS A VALORIZAÇÃO
ESSA PODE ACONTECER
SE ESSES TAIS HOMENS DA LEI
SE PROPUSEREM DE VEZ
A INVESTIR PRA VALER.

COITADA DA PRÓ JOSINETE
NEM PÔDE SE DIVERTIR
NO SÃO JOÃO ARRETADO
NÃO PODENDO ELA CURTIR
ESTANDO MUITO OCUPADA
E UM TANTO PREOCUPADA
AS TAREFAS CONCLUIR

TODOS SALTANDO FOGUEIRA
TOCANDO FOGOS E DANÇANDO
E EU NA FRENTE DA NET
RESPONDENDO ATIVIDADES
COM TODA FORÇA E CORAGEM
LENDO TEXTO COM VONTADE
E VIVA A CERTIFICAÇÃO!

NÃO TOMEI UM SÓ LICOR
NÃO COMI TAMBÉM PAMONHA
A CANJICA E O QUENTÃO
SÓ COMI UM MILHO ASSADO
AMENDOIM FOI TORRADO
QUE DONA NEIDE DO BAR
MANDOU-ME PRESENTEAR

NÃO DANCEI O SÃO JOÃO
NEM O SÃO PEDRO TAMBÉM
MAS CONSEGUIR ME DIVERTIR
SEM NENHUMA FRUSTRAÇÃO
DEBAIXO DO COBERTOR
APÓS FAZER AS TAREFAS
DO CURSO DE PREPARAÇÃO

NÃO ESTOU A RECLAMAR
OLHEM BEM, PRESTEM ATENÇÃO
POIS TUDO QUE CAI NAS REDES
VIRA UM TUMULTO DANADO
ASSUMO AQUI MEU RECADO
ISTO COM MUITO CUIDADO
SENDO EU A CIDADÃ

OXENTE, TEM NADA NÃO
QUERO GANHAR UM TIQUINHO
NESTE LINDO CONTRA CHEQUE
NÃO É SÓ POR GRANA NÃO
SOU UMA MÃE E PAI DE FAMÍLIA
TUDO QUE QUERO NA VIDA
É HONRAR A PROFISSÃO

HONRAR MINHA PROFISSÃO
É DEVER E OBRIGAÇÃO
NÃO SOMOS RECONHECIDOS
DEIXA PRA LÁ MEU IRMÃO
GOSTO DE SER PROFESSORA
MESMO SEM EIRA NEM BEIRA
AMO A MINHA PROFISSÃO.

COM OS MEUS VERSOS
PROCURO SEMPRE EXPRESSAR
ESTA MINHA GRATIDÃO
SOU PROFESSORA DE HISTÓRIA
COM GRAÇA, HONRA E GLÓRIA
QUERO DEIXAR NA HISTÓRIA
REGISTRO DESTA NAÇÃO

DO LICOR NÃO ESQUECI
DA PAMONHA E DA CANJICA
DO BOLO DE MILHO E PUBA
NÃO ESQUECI DE FAZER
TAMBÉM MINHAS OBRIGAÇÕES
ESTANDO EU ISENTADA
DA TAL RECUPERAÇÃO

MAS EU NÃO POSSO DEIXAR
DE TAMBÉM AGRADECER
AOS COLEGAS E AOS MESTRES
QUE FIZERAM ACONTECER
TROCANDO CONHECIMENTOS
INTERAGINDO A TODO TEMPO
PARA PODERMOS APRENDER

ESTOU DE JUÍZO QUENTE
DESDE QUANDO COMEÇOU
ESTE CURSO DO ESTADO
EITA POVO, QUE HORROR
NÃO TENHO TEMPO PRA NADA
ESTA É UMA GRANDE JORNADA
VIDA PERVERSA, SENHOR!

MADALENA DE JESUS
É VERO O QUE TENHO A DIZER
QUANDO ESCREVO OS MEUS VERSOS
SEMPRE LEMBRO DE VOCÊ
SENDO UMA PROFISSIONAL
E ESTA MULHER CAPAZ
QUE FAZ TUDO ACONTECER

AQUI TERMINO OS VERSOS
SEM RIMA E SEM PROTESTO
APRENDENDO DIA-A-DIA
O APRENDER A APRENDER
É COMO SÓCRATES DIZIA
EU SÓ SEI QUE NADA SEI
EM SUA FILOSOFIA.


JOSINETE MARIA DA SILVA

FEIRA DE SANTANA, 23 DE JUNHO DE 2015

domingo, 9 de agosto de 2015

EU NÃO QUERO SER CUMPRIMENTADA NO DIA DOS PAIS



Eu confesso que nunca gostei de ser cumprimentada no Dia dos Pais, embora assumindo sem restrições a minha condição de mãe solteira, não por decisão, mas por circunstâncias que não vem ao caso mencionar. Na verdade achava meio estranho, afinal sou mãe e isso é tudo. Até porque conheço, como ninguém, o verdadeiro significado da palavra “PAI”. Essas três letras honradas em toda a plenitude por meu pai, Amílcar de Jesus, responsável por tudo que sei e sou.

E hoje, no tradicional segundo domingo de agosto do décimo primeiro ano sem a sua presença física, lembro de mais um de seus ensinamentos que carrego comigo o tempo inteiro. “Não tente ser pai e mãe, pois corre o risco de não conseguir ser nem uma coisa nem outra; seja mãe, e já está de bom tamanho”. E dizia mais, diante de meus argumentos nada convincentes: “Pois é, ser mãe já é tão difícil!”

E é mesmo. Mais do que nunca, sei disso. Sei também que, como pregava o sempre sábio Zinho, “tem situação em que pai é supérfluo”. Talvez eu discorde do termo e use outro, mais brando. Mas juro que ainda tenho dificuldade em entender o comportamento de algumas espécies masculinas diante da paternidade.

Alguns acham que ser pai é garantir as despesas; outros, que basta estar presente; há ainda aqueles que apenas amam, de longe; e enfim, os que simplesmente não acham nada... Este último, sem dúvida, o pior dos casos. Porque até mesmo o desamor é suportável, porém nada é capaz de apagar a dor causada pela indiferença e os estragos que a ausência deliberada na vida de um filho pode gerar.

Por isso, não me canso de render homenagens ao homem que consegue se fazer presente em todos os momentos de minha vida, mesmo depois que passou a viver em outra dimensão. Nesses 11 anos sem conviver com ele, pelo menos nesse plano, não há um dia sequer que não recorde os seus conselhos, não siga seus exemplos, não exercite o amor de filha exatamente como me ensinou. Na medida certa. E com todo respeito.

Madalena de Jesus

domingo, 2 de agosto de 2015

ORLANDO ORFEI, UM DOS MAIORES NOMES DO CIRCO



Fundador do Circo Nazionale D'Itália e do Tivoli Park e um dos maiores nomes do circo mundial, o artista Orlando Orfei morreu na noite de sábado (1º) , aos 95 anos. Ele teve pneumonia e estava em coma induzido desde o dia 16, no Hospital do Coração de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Orlando Orfei é da quinta geração de uma família circense. A tradição começou em 1820, quando o bisavô dele, que era padre, largou a batina por amor. Orlando Orfei nasceu 100 anos depois, em 1920, na Itália, e começou no circo aos cinco anos de idade, como palhaço. Também foi equilibrista, malabarista, mágico e domador.

O artista veio ao Brasil no final da década de 1960, para o Festival Mundial do Circo, e se apaixonou pelo país. Em 1969, inaugurou o Circo Nazionale D'Itália, em São Paulo, e, em 1972, fundou o Tivoli Park, no Rio de Janeiro. Durante duas décadas, o Tivoli foi um dos parques de diversões mais famosos do país.

Notícias ao Minuto 

sábado, 1 de agosto de 2015

AGOSTO, MÊS DE VENTOS FORTES



Agosto, “mês de ventos fortes”, é um dos mais especiais do ano. Ainda assim, em torno dele se formaram muitas superstições, de tal sorte que o oitavo mês do ano é hoje rodeado de muito folclore. Quanta infâmia! Tanta coisa especial envolve esse mês… Quantas pessoas especialíssimas, leoninas e virginianas, têm neste mês o seu feliz natalício… Quantas coisas importantes aconteceram neste mês, tais como: o primeiro homem foi eletrocutado numa cadeira elétrica; o suicídio de Getúlio; a morte de Juscelino; a renúncia de Jânio; a renúncia de Nixon à presidência dos Estados Unidos… Gente, quanta injustiça com o mês do imperador Augusto! Só pode ser inveja ou despeito! Seja como for, se você é desses (ou dessas) que vive injuriando este mês, segue abaixo uma genial crônica de Caio Fernando Abreu, com algumas sugestões para você atravessá-lo. :)

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros angúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.

Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos – ou precauções — úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade… Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo ZAP!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas — coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.

Caio Fernando de Abreu ( (1948 - 1996) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro, nascido em Porto Alegre (RS), considerado um dos expoentes de sua geração)

terça-feira, 28 de julho de 2015

HOMENAGEM A 105 ANOS DE HISTÓRIA



Quem me conhece sabe a importância que a passagem pelas terras grapiúnas tem em minha vida – pessoal e profissional. Em uma rápida consulta à memória, os momentos vividos vêm como flashes: a convivência com os então novos colegas e hoje grandes amigos na Prefeitura Municipal; o surgimento de amizades que se firmaram com o tempo, apesar da distância que se estabeleceu posteriormente; a família completa que ganhei, com direito a mãe, irmãos e sobrinhos; a redação do Jornal Agora (inesquecível); os passeios de fim de semana às vizinhas cidades litorâneas; a imagem do rio Cachoeira, resistência viva da natureza, mesmo maltratado; o Centro de Cultura Adonias Filho, palco de espetáculos e encontros memoráveis; a Universidade Estadual de Santa Cruz, o centro do saber estrategicamente localizado entre os dois maiores centros urbanos da região. Foi de lá, da UESC, que recebi uma notícia que afagou o meu coração e diminuiu um pouco a saudade, por meio do site Rede Sul Bahia, aquele que só traz boas notícias. Uma bela e merecida homenagem pelo 105º aniversário de Itabuna, a minha segunda pátria desde dezembro de 1992, que reproduzo em agradecimento à acolhida que me tornou filha de fato desse lugar que ganhou o mundo em verso e prosa. 

A Editus - Editora da UESC - homenageia Itabuna pelos seus 105 anos de emancipação política, festejados em 28 de julho. O destaque é dado a importantes publicações sobre o passado e o presente do município. Os textos, assinados por pesquisadores e escritores, trazem uma série de fatos e personagens históricos, o desenvolvimento de seus espaços e a riqueza do seu povo.

O livro De Tabocas a Itabuna: um caminho histórico-geográfico, organizado pelas professoras Lurdes Bertol e Maria Palma Andrade, é um deles. A segunda edição, revista e ampliada, já está sendo preparada e em breve chegará aos leitores. A obra é um convite para um passeio pela cidade, apresentando de forma ilustrada o nascimento e desenvolvimento de Itabuna desde quando pertencia a Capitania de São Jorge dos Ilhéus.

Outra grande publicação, que também já está em fase de preparação para uma nova edição, é Ensaios históricos de Itabuna: o Jequitibá da Taboca, obra baseada nos relatos de um grande personagem grapiúna, o senhor Manoel Bomfim Fogueira. A obra foi organizada pelo escritor Oscar Ribeiro Gonçalves com as contribuições da professora Janete Ruiz e do historiador João Cordeiro.

A Editora também destaca títulos já bem conhecidos do público. O livro Itabuna: história e estórias, da pesquisadora Adriana Dantas Andrade-Breust, é uma referência sobre o município. A autora traz a nobreza do relato oral de personagens comuns do cotidiano que vivenciaram a evolução da cidade.

Outra referência é O centro da cidade de Itabuna: trajetória, signos e significados. De autoria da professora Lurdes Bertol, traz elementos da geografia urbana de Itabuna e contribui para o conhecimento da representação desses espaços para a cidade e a necessidade de sua preservação.

Também de Lurdes Bertol, o livro A cidade em tela: Itabuna e Walter Moreira é uma ode à cidade, trazendo o legado histórico deixado nas obras do pintor que retratou pessoas simples do cotidiano itabunense do século XX. O trabalho apresenta correspondências fotográficas atuais que buscam mostrar as influências exercidas pela passagem do tempo nos espaços de convivência da cidade.

E como não poderia de deixar de ser, a Editus também chama a atenção para uma de suas produções mais representativas. É o livro Expressões poéticas de Valdelice Pinheiro, organizado pela professora Tica Simões. A memória cultural da escritora itabunense é resgatada neste livro que exalta toda a sua maestria poética e Itabuna como o lugar de todas as suas vivências.

Todos os livros que falam da cidade e mostram a importância de Itabuna no contexto regional, estão disponíveis na Livraria da Editus, no Centro de Artes e Cultura Paulo Souto, na UESC. Todos estes títulos estão disponíveis também na Livraria Nobel e na Banca Shopping, ambos em Itabuna. Em Ilhéus nossos livrospodem ser adquiridos na Livraria Papirus. Na internet, o leitor poderá encontrar as publicações nos sites www.livrariacultura.com.br e www.bookpartners.com.br. Pedidos podem ser feitos também pelo e-mail vendas.editus@uesc.br ou pelo telefone 73 3680-5240.

E para aqueles que preferem a versão virtual, a Editus já disponibiliza algumas destas publicações em formato digital no site www.uesc.br/editora. O leitor pode baixar o pdf gratuitamente. Estas e outras obras fazem parte do projeto Editus Digital, que visa democratizar o acesso ao conhecimento e valorizar as produções regionais.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

CANÇÃO DA CHEGADA



Roberval Pereyr



Desisto de mim, sou passado.
E fico só: meu legado
são estas dúvidas mortas.
E medito.
A solidão é um cacto.
E há desertos e álcoois
empoeirando a memória;
auras que emperram em minhas pálpebras.
(O meu rosto é um sertão suicida
de mitos tatuados com farpas).
Sim, desisto.
Pulverizo-me em forma de cartas
ao acaso lançadas, asas frágeis,
movidas por dilemas desiguais.