sexta-feira, 17 de junho de 2016

POETA FEIRENSE É DESTAQUE NO LE MONDE DIPLOMATIQUE





O músico e poeta feirense Ederval Fernandes, autor de “O livro conta corrente” (coletânea de poemas do autor lançada em 2015) elevou a literatura feirense com uma notável participação na edição portuguesa de junho do Le Monde Diplomatique. Publicado desde 1954 na França, o jornal tem 71 edições internacionais produzidas em 25 línguas e conta com uma tiragem mensal de 2,4 milhões de exemplares em todo o mundo.
Ederval teve seis poemas publicados, tomando uma página inteira da publicação:
Le Monde Diplomatique

Palavras

há sempre
duas
ou três.

e furtam
meu olhar,
minha fome.

às vezes,
dez ou seis
ou cem –

(e) além
do alvo
acertam
algo.


Da minha boca

a vertigem
do dia são estas
horas:

luz e fogo
levando
embora a noite
calma.

um nada
no nada,
meu adágio
sai e segue.

e um deus (morto)
bebe um café
comigo.

*

“perigo”,
ele me diz,
“não sou eu,
amigo,
o infeliz
que te trouxe
ao veneno”.

eu sei, eu
digo,
desde pequeno

(cravado
no umbigo)
trago comigo

este jogo
de ases.

e não
vou, eu sei,
fazer
as pazes:

se as fiz,
eu falhei.

*

do som,
quero a canção;
da mão

(é verdade),
quero e não sei
a liberdade.

não da forma
oca – o veneno
é da boca.

se a língua
portuguesa
é pouca,

isto não é
problema?

não aqui,
assim,
no meu poema.


O estudo da bomba

útero
núcleo
sonda:

seixo

o estudo
da sombra

as vagas
do eixo.

fútura sã
anciã

será? serei
sarò.

fundo
o que sei:
do pó ao pó.


Gramática normativa



A professora Norma
Soeli de Líng. Port. IV
revela em sala:
um aluno meu
não sabia
usar os conectivos
de coesão,
não sabia usar
sequer preposição,
misturava os tempos
verbais e os modos.
Acabou que, Norma
revela, meu aluno
se suicidou.
O verbo suicidar
possui este pronome
fossilizado, Norma
observa – ninguém diz
meu aluno suicidou.


Marize

Há uma tesoura que corta.
E há uma mãe que costura.


Epigrama português

& pimba
& pimba-pimba
& pimba

Danillo Ferreira é usuário de café, filosofia e arte, fundador e editor do blog Feirenses.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A LAGOA, PELO OLHAR DE GABRIEL BIZAMA






A Lagoa

A Lagoa tão silenciosa que fica à noite
E coberta por uma manta escura
Mas, de dia, com muita alegria
Ela brinca com o vento até escurecer

Tantas visitas ela tem,
Dão voltas até cansar
Passam e passam sem parar
A Lagoa viva, feliz com tantas visitas

Somente de duas coisas precisa a Lagoa,
Sua felicidade eterna
E seus visitantes dia e noite.
Nada mais e nada menos

O que faríamos sem a Lagoa
E ela sem nós?
Uma vida triste seria para todos
Um lugar para não andar nem visitar
A Lagoa poderia chorar

Gabriel
Gabriel tem 13 anos. Quando eu o vi a última vez tinha uns cinco, mas acompanho seu crescimento pelas redes sociais, onde a mãe orgulhosa (e quem não é?) exibe suas crias, em momentos diversos. Hoje, entretanto, não foi o garotinho brincando na areia ou estudando em casa que eu vi/li no facebook. Mas um menino que ainda tenta se equilibrar nas artimanhas da Língua Portuguesa, “que acabou de chegar, sem falar português, com uma reviravolta de sentimentos em sua cabecinha”, como define a fã maior, e que já se revela um poeta. Escreve com a alma!

terça-feira, 7 de junho de 2016

COMBUSTÃO




Diante da casa destruída pelas chamas, onde jazia o corpo carbonizado da solteirona, o repórter perguntou ao comandante dos bombeiros:
- Qual a causa do incêndio?
Experimentado em combustões da alma, o comandante respondeu:
- O ardor da vítima.

Marcondes Araujo

sexta-feira, 3 de junho de 2016

JORNALISTA POR FORMAÇÃO, RADIALISTA POR CONVICÇÃO


Não seria exagero algum afirmar que Feira de Santana é a sua segunda pátria. São exatos 45 anos vivendo na cidade que o adotou aos 10, vindo de Oliveira dos Campinhos, distrito de Santo Amaro. Portanto, Joilton Antônio de Freitas Mattos, o apresentador do Rotativo News, na Rádio Sociedade, é santoamarense de nascimento e feirense de alma, como costuma dizer.

O libriano de 55 anos, terceiro de seis filhos (cinco homens e uma mulher) foi acolhido na Princesa do Sertão em grande estilo, com residência na rua com nome de poeta, Castro Alves. Mas foi na Cidade Nova, que firmou moradia até casar. Aliás, vale lembrar que o jornalista formado pela FAT – Faculdade Anísio Teixeira – é pai de Uinde, 25 anos, e Faizah, oito.

Único da família a atuar em comunicação, Joilton Freitas é católico. Cinéfilo, nem sequer escolhe o gênero. “Desde que seja um bom filme”, avisa o radialista que tomou gosto pela área no setor comercial da extinta revista Panorama da Bahia. Foi também gerente regional do Correio da Bahia, em Feira de Santana e Juazeiro, e por muito tempo manteve um jornal próprio, o Grande Bahia.

Na Rádio Sociedade AM de Feira de Santana Joilton consolidou a carreira de radialista, depois aprimorada com a graduação em Jornalismo e pós-graduação em Comunicação e Marketing Corporativo, também pela FAT. Integrou as equipes dos programas Linha Direta e Bom Dia Feira, este na Rádio Princesa FM, antes de investir em uma produção própria, há 10 anos.

Liberal e defensor de “um governo enxuto” em todas as esferas, conviveu de perto com o Poder Legislativo, quando assumiu a chefia da Assessoria de Comunicação (Ascom) da Câmara Municipal, onde atuou em dois períodos, 2006 a 2008 e 2012 a 2014. Diz com convicção que se fosse possível retornar ao começo a sua escolha profissional seria a mesma: Radialista.

Madalena de Jesus

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O POETA E O VENTO



sei que
quando me for,
ele permanecerá perene

rebelde, revolto
eriçando
planaltos
e planícies,

abusando da eternidade
e inscrevendo
sobre minha lápide,

com cinzel
de eterna primavera,
uma outra
e justa verdade:

fora-se,
e tarde, quem nada era.

Jozailto Lima

terça-feira, 31 de maio de 2016

"A REPÚBLICA DO MANGUE" TEM LANÇAMENTO DIA 17, NO MAP



O livro

O autor 

No seu romance de estreia, "A República do Mangue", coleção "Viagens na Ficção", da Chiado Editora, de Portugal, Jorge Magalhães se apoia em vasta experiência  jornalística para engendrar, nesta comovente e emocionante história,  cores vivas de um realismo inescapável aos fatos que enleiam protagonistas e coadjuvantes imbricados numa trama que se passa numa ilha paradisíaca e imaginária.

Contundente e elegantemente envolvente, a narrativa, rica na descrição minuciosa de cenários, objetos e personagens, nos remete, en passant, à  época da Colonização Portuguesa no Brasil, transportando-a, com suas inescapáveis consequências, aos tempos de agora.

A depredação dos bosques dos manguezais pela ocupação desordenada do homem, agravada pela sanha criminosa do capital especulativo com a anuência do poder político, é o eixo central de "A República do Mangue".

O drama de uma comunidade de humildes pescadores e marisqueiros de Tracajás, ilha/cidade que dá nome ao arquipélago idílico, revela a cosmovisão do autor sobre as engrenagens que subvertem e destroem valores e conceitos de um mundo ameaçado pela distopia de um modelo concentrador de poder.

Quem é

Quem acendeu as primeiras luzes da literatura no caminho de Jorge Magalhães foram os grandes letristas e compositores da Música Popular Brasileira, numa época em que predominavam os antológicos festivais e o Brasil vivia sob a égide de uma ditadura militar.

Aos quinze anos, já circulava nas rodas frequentadas por poetas, artistas plásticos, músicos e intelectuais, lia clássicos da literatura e jornais havidos como "subversivos", distribuídos, à época, na clandestinidade. Aos dezoito escreveu seu primeiro caderno de poesia e aos vinte ingressou profissionalmente no jornalismo.

Atuou como repórter nos jornais "Feira Hoje", "Folha do Norte", "Correio da Bahia", "Tribuna da Bahia", revista "Panorama" e foi produtor de jornalismo da TV Subaé, afiliada da Rede Globo, em Feira de Santana, maior e principal cidade do interior do Estado da Bahia, e uma das mais importantes do Brasil, onde o escritor nasceu.

Escreveu cerca de 200 discursos políticos, artigos e crônicas sobre uma variedade de temas; roteirizou documentários, um deles, sobre o Mosteiro de São Bento, em Salvador, foi transformado em vídeo pela Bahia, Cinema e Vídeo, vertido para o inglês, o francês e o espanhol, com distribuição dirigida a  países da Europa.
Inspirado na dura realidade das populações que habitam as favelas da periferia brasileira, escreveu "Porrada de Polícia", composição vencedora do Troféu Caymmi (1993), considerado o Oscar da música baiana. Emplacou  o primeiro clip institucional da TV Educadora da Bahia, com a música "Cheiros e Temperos", em 2003.

Pela Coleção Olhos D'Água teve publicado "Relvas e Espinhos", em 1980. Também tem poemas publicados nas revistas "Atos" e "Sitientibus", da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Tem no prelo o "O Genoma das Pedras", poesia.

O livro tem lançamento em Feira de Santana marcado para sexta-feira, 17 de junho, no Mercado de Arte Popular, em noite cultural que inclui lançamentos do programa de comemoração do Sesquicentenário - 150 anos - da Sociedade Filarmônica 25 de Março, de coletânea de DVDs "Fragmentos da História de Feira de Santana - Volume 8", e relançamento de livros como "Reminiscências de Feira de Santana" e "Eme Portugal: O Mito Social Feirense", ambos de José Brandão, "cinema demais", de Dimas Oliveira, "A História do Fluminense", de Adilson Simas, e "Feira de Sant'Ana: Histórias e Estórias de Feira de Santana", coletânea do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana (IHGFS).

O evento tem promoção do Núcleo de Preservação da Memória Feirense da Fundação Senhor dos Passos. Como pano de fundo, retreta da 25 de Março, sob a regência do maestro Tony Neves.

Texto extraído da orelha e da contra capa do livro


segunda-feira, 23 de maio de 2016

LEMBRANDO “DIO, COMO TI AMO”



"Dio, Come Ti Amo" (Deus, Como Te Amo), produção ítalo-espanhola de Miguel Iglesias, foi lançada em 1966.

Com música e letra de Domenico Modugno, no filme "Dio, Come Ti Amo" é cantada por Gigliola Cinquetti , que faz uma jovem de família pobre que se enamora pelo noivo rico (Mark Damon) de sua melhor amiga (Micaela Cendalli).

A música venceu o Festival da San Remo em 1966 com Gigliola interpretando e foi aproveitado o embalo e realizado o filme, em preto e branco, que então foi um dos mais vistos pelo público, mesmo com a crítica arrasando.

Em Feira de Santana, no Cine Madrid, existente na rua Castro Alves, ficou por cerca de um mês em cartaz, com sessões sempre lotadas. Depois, entrou em cartaz no Cine Íris. A música embalava bailes e "assustados" - festinha realizadas nas casas de famílias.

Melodramático, chamado de "água-com-açúcar", pois o público feminino levava lenço para enxugar as lágrimas, "Dio, Come Ti Amo" foi de fato um fenômeno de bilheteria que emocionava as platéias. Na cena final, ela canta a música em microfone no aeroporto e ele a ouve dentro do avião que está taxiando na pista e se tem certeza do happy-end.

Ainda no filme é inserida a música "Non Ho L'Etá" (Não Tenho Idade), com a qual Gigliola Cinquetti ganhou o mesmo Festival de San Remo, dois anos antes, ela com 16 anos.

No Brasil, Demétrio Carta fez a versão, que foi cantada por Agnaldo Rayol, Giane e até hoje, por Roberto Miranda. Na Itália, além de Gigliola e Modugno, foi cantada por Sergio Endrigo.

Edição de colecionador, em versão restaurada e remasterizada, foi lançada em DVD pela Versátil Home Vídeo. Além do filme, tem muitos extras, incluindo biografia ilustrada de Gigliola Cinquetti, do compositor Domenico Modugno e um especial sobre o Festival de San Remo.

Dimas Oliveira