quarta-feira, 20 de julho de 2016

AMIZADE SINCERA É UM SANTO REMÉDIO



Desde menina ouvia as pessoas falarem que era possível contar os amigos apenas com os dedos das mãos. Ou seja, na matemática mais simples, ninguém teria mais de 10 amigos. Sempre achei isso muito estranho, porque já àquela época eu precisaria de muitas e muitas mãos para enumerar meus amiguinhos.

Eu cresci e continuei ouvindo afirmações do tipo “amigo de verdade não se encontra nem com a luz acesa durante o dia”. Tanto que, em minha casa, sempre que alguém esquecia uma lâmpada acesa logo vinha a pergunta: Está procurando amigo? E ainda hoje custo a entender tais opiniões.

Na verdade, nunca me preocupei muito com a quantidade de amigos, mas com a qualidade dessas amizades. Mesmo assim, sou feliz porque é impossível contar os grandes e verdadeiros amigos que fazem parte de minha história. Pessoas sem as quais eu não saberia viver, mesmo aquelas que estão geograficamente distante de mim.

Meus amigos estão espalhados pelo mundo e com muitos deles a relação é regada pela saudade, às vezes quase insuportável. O mistério da verdadeira amizade é exatamente esse: Nunca é demais estarmos perto, mas não importa o quanto estamos distante. E é isso. Para mim, mais importante do que o Dia do Amigo é o dia a dia com os amigos.

Por isso, tomo de empréstimo os versos de Renato Teixeira e os dedico a todos os meus amigos:

A amizade sincera é um santo remédio
É um abrigo seguro
É natural da amizade
O abraço, o aperto de mão, o sorriso
Por isso se for preciso
Conte comigo, amigo disponha
Lembre-se sempre que mesmo modesta
Minha casa será sempre sua
Amigo
Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo apesar de tão raro
Não há nada melhor do que um grande amigo 

Madalena de Jesus

segunda-feira, 18 de julho de 2016

SOBRE O ORGULHO DE TER NASCIDO DESSA MULHER




Essa é Cé (minha mãe), ahhhh Cé...
Cé que é médica, pra médico nenhum butar desfeitos.

Cé que é farmacêutica, lê bula de remédio até de cabeça pra baixo e acerta todos. Sua maior especialidade? É a Nefrologia

- Bebe água Line, pra nestante num tá com problemas nos rins.

Cé que é corretora (profissão que exerce com maestria). É pedreira, eletricista, encanadora, mas é de massa corrida que ela gosta.

Cé é um arco-íris de cores e tintas. É ela que além de colorir os meus sonhos, pinta a nossa casa da cor que a gente sonhou.

Cé que é mãe solteira, que tem respeito, se dá o respeito e ai de quem a desrespeite (Rum!)

Cé que roda a baiana, derruba o tabuleiro e ainda usa o molho como spray de pimenta (por que ela é dessas!).

Quem tem Cé, vai a pé e chega onde quer:

- Pra quê carro, Line, se andar é saúde?

E se ouse a não pegar o ritmo das passadas de Cé pra você ver, sempre rola aquela piada...

- Uma menina nova dessa toda Maria das Dores, rapaz, só tá cabo do guarda-chuva do Feraguai!

Cé que é também humorista e filósofa, dona das melhores sacadas que eu já comentei nessa vida.

Cé que é culta, vira até poliglota quando o assunto é dinheiro:

- Joy vai cobrar aquele money.

É comentarista de futebol e ai de quem se meta ;

- Cala boca que tu não sabe diferenciar o que é um cartão amarelo de um vermelho.

Cé que é braba, retada, fechativa, mas nunca triste. E quem estiver do lado dela também não fica. Ela sempre tem uma piada, uma gracinha, um truque escondido na manga.

Cé que tem o dom de fazer chover sorrisos. É humana, é de verdade!

- Ô de casa, a senhora me arranja um prato de comida, dona coisinha?

- Ô Kaline, faça uma quentinha e dê aqui ao moço. Bote suco também.

Chega eu com um vasilha mais simples na minha ingenuidade, pois sabia que não voltaria, ela me olha e diz:

- Imagine se fosse Jesus agora, você daria comida a ele nessa vasilha? Volte e coloque numa melhor.

E é com Cé que eu tenho aprendido a ser gente!!!!!!

E fico imaginando, quantas Cés não existem nesse mundão de Deus? Quantas Cés fazem esse mundo girar. Quantas guerreiras, lutadoras, mulheres de fibra e delicada, fortes e gentis, estão por aí, levando suas famílias nas costas, sendo o muro de arrimo, sendo donas de nós?

A todas as nossas Cés, essas Cés que nos orgulham, nos fazem chorar ao saber de suas histórias, a todas essas formosuras o meu Feliz DIA Das Mães !!! #teamocé

Paula Kaline

Fonte: Terra de Lucas - http://www.terradelucas.com.br/2016/05/sobre-o-orgulho-de-ter-nascido-dessa.html 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

POETA FEIRENSE É DESTAQUE NO LE MONDE DIPLOMATIQUE





O músico e poeta feirense Ederval Fernandes, autor de “O livro conta corrente” (coletânea de poemas do autor lançada em 2015) elevou a literatura feirense com uma notável participação na edição portuguesa de junho do Le Monde Diplomatique. Publicado desde 1954 na França, o jornal tem 71 edições internacionais produzidas em 25 línguas e conta com uma tiragem mensal de 2,4 milhões de exemplares em todo o mundo.
Ederval teve seis poemas publicados, tomando uma página inteira da publicação:
Le Monde Diplomatique

Palavras

há sempre
duas
ou três.

e furtam
meu olhar,
minha fome.

às vezes,
dez ou seis
ou cem –

(e) além
do alvo
acertam
algo.


Da minha boca

a vertigem
do dia são estas
horas:

luz e fogo
levando
embora a noite
calma.

um nada
no nada,
meu adágio
sai e segue.

e um deus (morto)
bebe um café
comigo.

*

“perigo”,
ele me diz,
“não sou eu,
amigo,
o infeliz
que te trouxe
ao veneno”.

eu sei, eu
digo,
desde pequeno

(cravado
no umbigo)
trago comigo

este jogo
de ases.

e não
vou, eu sei,
fazer
as pazes:

se as fiz,
eu falhei.

*

do som,
quero a canção;
da mão

(é verdade),
quero e não sei
a liberdade.

não da forma
oca – o veneno
é da boca.

se a língua
portuguesa
é pouca,

isto não é
problema?

não aqui,
assim,
no meu poema.


O estudo da bomba

útero
núcleo
sonda:

seixo

o estudo
da sombra

as vagas
do eixo.

fútura sã
anciã

será? serei
sarò.

fundo
o que sei:
do pó ao pó.


Gramática normativa



A professora Norma
Soeli de Líng. Port. IV
revela em sala:
um aluno meu
não sabia
usar os conectivos
de coesão,
não sabia usar
sequer preposição,
misturava os tempos
verbais e os modos.
Acabou que, Norma
revela, meu aluno
se suicidou.
O verbo suicidar
possui este pronome
fossilizado, Norma
observa – ninguém diz
meu aluno suicidou.


Marize

Há uma tesoura que corta.
E há uma mãe que costura.


Epigrama português

& pimba
& pimba-pimba
& pimba

Danillo Ferreira é usuário de café, filosofia e arte, fundador e editor do blog Feirenses.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A LAGOA, PELO OLHAR DE GABRIEL BIZAMA






A Lagoa

A Lagoa tão silenciosa que fica à noite
E coberta por uma manta escura
Mas, de dia, com muita alegria
Ela brinca com o vento até escurecer

Tantas visitas ela tem,
Dão voltas até cansar
Passam e passam sem parar
A Lagoa viva, feliz com tantas visitas

Somente de duas coisas precisa a Lagoa,
Sua felicidade eterna
E seus visitantes dia e noite.
Nada mais e nada menos

O que faríamos sem a Lagoa
E ela sem nós?
Uma vida triste seria para todos
Um lugar para não andar nem visitar
A Lagoa poderia chorar

Gabriel
Gabriel tem 13 anos. Quando eu o vi a última vez tinha uns cinco, mas acompanho seu crescimento pelas redes sociais, onde a mãe orgulhosa (e quem não é?) exibe suas crias, em momentos diversos. Hoje, entretanto, não foi o garotinho brincando na areia ou estudando em casa que eu vi/li no facebook. Mas um menino que ainda tenta se equilibrar nas artimanhas da Língua Portuguesa, “que acabou de chegar, sem falar português, com uma reviravolta de sentimentos em sua cabecinha”, como define a fã maior, e que já se revela um poeta. Escreve com a alma!

terça-feira, 7 de junho de 2016

COMBUSTÃO




Diante da casa destruída pelas chamas, onde jazia o corpo carbonizado da solteirona, o repórter perguntou ao comandante dos bombeiros:
- Qual a causa do incêndio?
Experimentado em combustões da alma, o comandante respondeu:
- O ardor da vítima.

Marcondes Araujo

sexta-feira, 3 de junho de 2016

JORNALISTA POR FORMAÇÃO, RADIALISTA POR CONVICÇÃO


Não seria exagero algum afirmar que Feira de Santana é a sua segunda pátria. São exatos 45 anos vivendo na cidade que o adotou aos 10, vindo de Oliveira dos Campinhos, distrito de Santo Amaro. Portanto, Joilton Antônio de Freitas Mattos, o apresentador do Rotativo News, na Rádio Sociedade, é santoamarense de nascimento e feirense de alma, como costuma dizer.

O libriano de 55 anos, terceiro de seis filhos (cinco homens e uma mulher) foi acolhido na Princesa do Sertão em grande estilo, com residência na rua com nome de poeta, Castro Alves. Mas foi na Cidade Nova, que firmou moradia até casar. Aliás, vale lembrar que o jornalista formado pela FAT – Faculdade Anísio Teixeira – é pai de Uinde, 25 anos, e Faizah, oito.

Único da família a atuar em comunicação, Joilton Freitas é católico. Cinéfilo, nem sequer escolhe o gênero. “Desde que seja um bom filme”, avisa o radialista que tomou gosto pela área no setor comercial da extinta revista Panorama da Bahia. Foi também gerente regional do Correio da Bahia, em Feira de Santana e Juazeiro, e por muito tempo manteve um jornal próprio, o Grande Bahia.

Na Rádio Sociedade AM de Feira de Santana Joilton consolidou a carreira de radialista, depois aprimorada com a graduação em Jornalismo e pós-graduação em Comunicação e Marketing Corporativo, também pela FAT. Integrou as equipes dos programas Linha Direta e Bom Dia Feira, este na Rádio Princesa FM, antes de investir em uma produção própria, há 10 anos.

Liberal e defensor de “um governo enxuto” em todas as esferas, conviveu de perto com o Poder Legislativo, quando assumiu a chefia da Assessoria de Comunicação (Ascom) da Câmara Municipal, onde atuou em dois períodos, 2006 a 2008 e 2012 a 2014. Diz com convicção que se fosse possível retornar ao começo a sua escolha profissional seria a mesma: Radialista.

Madalena de Jesus

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O POETA E O VENTO



sei que
quando me for,
ele permanecerá perene

rebelde, revolto
eriçando
planaltos
e planícies,

abusando da eternidade
e inscrevendo
sobre minha lápide,

com cinzel
de eterna primavera,
uma outra
e justa verdade:

fora-se,
e tarde, quem nada era.

Jozailto Lima