quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O MELHOR LUGAR DO MUNDO É DENTRO DE UM ABRAÇ0

 


Meu pai, Amílcar de Jesus, amor além da vida.

Muito tempo antes de conhecer o belíssimo texto de Martha Medeiros, que certamente serviu de inspiração para a igualmente bela música do Jota Quest, eu já sabia que o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço. Aninhada nos braços do meu pai ou enlaçada pelo afago de minha mãe, aprendi, bem cedo, o valor do carinho mais verdadeiro que existe. Como fingir o calor que une dois corpos, por inteiro, sem reservas?

Por isso decidi fugir das queixas contra esse 2020 realmente desafiador, em todos os sentidos. Fisicamente todos ficamos – e ainda estamos – expostos a um vírus devastador. Emocionalmente, nos submetemos a um exercício nada fácil, principalmente para pessoas como eu, que têm necessidade quase vital do contato físico, da presença, da conversa, da risada compartilhada, do colo amigo.

Mas como em tudo na vida, há um outro lado. Foi graças a essas renúncias que aprendemos muito. Ficamos mais próximos de quem está mais distante. Paradoxal, mas absolutamente real. Foi também um ano de reencontros. De repente, uma ligação ou uma mensagem via whatsapp de alguém que eu não tinha notícias há anos, em alguns casos, décadas. E depois outras e outras e mais outras... E isso foi muito bom! 

O novo modelo de trabalho (home office), sem dúvida o maior de todos os desafios do ano que se finda, provocou um redemoinho na minha exaustiva rotina para dar conta de dois empregos e mais algumas atividades extra. Apesar do volume maior de demandas, eu ganhei algo que há mais de 40 anos eu não tinha: tempo para ficar em casa. E aí tarefas como cozinhar, lavar roupa e cuidar da casa passaram a ter um novo significado. 

Se eu fui feliz em 2020? A pergunta é difícil, especialmente se eu colocar na conta os amigos que perdi para esse vírus invisível e mortal (Robson e Benício, saudade eterna, e em seus nomes minha solidariedade a todas as vítimas da Covid-19) e as dores compartilhadas com os familiares de outros, que venceram a doença. Sem falar do medo que nos acompanha dia e noite, dentro ou fora de casa, disfarçado pela máscara que iguala e, ao mesmo tempo, separa.

Mas certamente chegarei a 2021 mais forte, mais tolerante para umas coisas e mais intransigente para outras – outro paradoxo – principalmente quando está em jogo a empatia. Sim, porque temos que cuidar de nós mesmos para proteger o outro. E esperando não somente a vacina, mas a possibilidade de dar e receber todos os abraços que ficaram guardados desde março, porque “Tudo que a gente sofre/Num abraço se dissolve/Tudo que se espera ou sonha/Num abraço a gente encontra”... 


Madalena de Jesus, jornalista e professora de Língua Portuguesa e Literatura 


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

OS DESAFIOS DA MATEMÁTICA NA MEGA REVISÃO ENEM UNIFTC

 

Os participantes tiveram ainda aulas de Literatura e Linguagens e dicas de todas as áreas do conhecimento

Temor para uns, paixão para outros, a Matemática é um grande desafio para os estudantes ao longo da vida escolar e, em especial, na prova do Enem. Foi para discutir as técnicas dessa ciência elementar na vida de todos que mestres da área se reuniram no segundo encontro da Mega Revsião Enem UniFTC. O projeto, que nesta 6ª edição é totalmente online, ainda prevê mais dois momentos, nestes dias 30 de novembro e 01 de dezembro, além de um simulado do exame, dia 06.

Em formato de talk show, o encontro proporcionou muito mais do que uma simples aula de revisão de conteúdos. Na verdade, o que os mais de quatro mil inscritos puderam ver foi uma grande roda de conversa, com a participação de profissionais de educação, atores, músicos e influencers. “Uma festa do conhecimento”, como definiu o professor Ricardo Carvalho, coordenador do projeto, que acontece pelo sexto ano consecutivo.

É mesmo possível amar a Matemática? Quem não acredita nisso pode ouvir a resposta afirmativa dos professores Adroaldo e Mateus Lordelo, por meio de aulas instigantes em que apresentaram pontos estratégicos do Enem. Por exemplo: É sabido que no exame não podem faltar questões envolvendo função, potência, logaritmos, gráficos e tabelas. “A Matemática é bonita, sim. E é divertido fazer a prova do Enem”, atestou Lordelo. 

Defendida pelos mestres da disciplina como “ferramenta de leitura do mundo” e “linguagem universal”, já que está em todo lugar, a Matemática foi desmitificada também pelo ator Alan Miranda, que falou sobre o cálculo do tempo da piada ou das notas musicais. “O desafinar é a matemática que não deu certo”, explicou. E a cantora Cacá Magalhães, que aos 14 anos canta como gente grande, usou como ninguém a técnica para cantar sucessos nacionais (destaque para Cazuza e Cássia Eller) e internacionais.

E a noite conseguiu juntar números e letras, com aula de Linguagem e Literatura e Arte com os professores Sérgio Assis e Alex Valadares, que fizeram um passeio pelo século XX, mostrando a linha do tempo da Arte Moderna e Contemporânea, a subjetividade da arte do pós-guerra e o minimalismo. “A obra conceitual escapa à materialidade”, disse Alex. As aulas foram permeadas por dicas de todas as áreas do conhecimento, apresentadas por professores da Bahia e de Pernambuco.

O projeto prossegue na próxima semana, com encontro segunda-feira (30), com Ciências Naturais e, no dia 01 de dezembro, Redação. O simulado acontece no dia 06 de dezembro, depois de um esquenta de 1h30 com revisão geral de todas as disciplinas. Mais de 200 pessoas estão envolvidas nesse novo formato da Mega Revisão, sendo 60 professores. A inscrição gratuita para os próximos encontros ainda pode ser feita por meio do site http://bit.ly/MegaRevisãoEnemUniFTC2020.

|SERVIÇO|

MEGA REVISÃO ENEM UNIFTC

Quando: 24 e 30 de novembro

               01 e 06 de dezembro

Horário: 19h

Onde: Canal do Youtube Rede UniFTC 


Madalena de Jesus, jormalista  

domingo, 1 de novembro de 2020

SOBRE AMIZADE, PARCERIA E CELEBRAÇÃO DA VIDA

 

Jair Onofre, aniversariante desta segunda-feira

Quando nos conhecemos, não lembro exatamente como, não imaginávamos que nossa parceria seria tão duradoura. Creio que era final dos anos 1970, logo que cheguei em Feira de Santana, e uma das referências dessa época é que a Casa do Estudante era uma entidade forte. Mas essa é outra história. Porque agora o assunto em pauta é o meu amigo Jair Onofre de Souza, o aniversariante desta segunda-feira, 2 de novembro.

Não sou muito apegada a datas, como deixei claro logo no início do texto. Portanto, não tenho a menor ideia de quando começamos a trabalhar juntos no blog especializado em noticiário político, que hoje é o site Bahia na Política. A relação no trabalho é de respeito mútuo e não poderia ser diferente na vida pessoal. A admiração recíproca também contribui para reforçar, a cada dia, os laços que nos unem ao longo do tempo.

A frase “amizade verdadeira não tem preço” me remete diretamente a ele. Seja qual for a circunstância, tenho sempre a certeza do estímulo, da compreensão e da ajuda, se necessário. Exemplos não faltam, mas acredito que não é preciso citá-los. Os conselhos são sempre corretos e chegam em boa hora. Dividimos as conquistas e os desafios dessa labuta jornalística, tão encantadora e difícil. 

Pois é, celebramos a vida diariamente, mas hoje é um dia especial. Por isso quero externar o orgulho de tê-lo como amigo.  

Parabéns Jair Onofre!

Madalena de Jesus é jornalista, radialista e professora

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A BELA EVELINE E A PLENA CONEXÃO COM A VIDA

Jornalista Eveline Cordeiro

Sorrisos largos, espontâneos e uma altivez em boa medida! Elegância, um certo brilho no olhar e uma beleza estonteante.  Quem vê Eveline passar sabe sim que ela é especial, afinal de contas, essas são apenas as qualidades que a gente reconhece nela à primeira vista.  

Esta libriana de uma morenice bem baiana é toda cheia de refinamento e gingado – com ela a vida está sim em movimento. Cresce, aprende, renova, coloca em prática, conquista, muda, muda de novo, quer lutar e continuar em movimento. Mas tudo isso em paz, num saudável diálogo com o mundo.

Ela ama aniversários e sabe que cada ano será especial. Sua história é como a de toda gente, cheia de desafios, alegrias, tristezas, mas também de muito amor. Ela é família, é amigos, é abraços e gargalhadas no final da tarde. É um vestido cheio de prosa e um bom salto que empodera toda mulher que anseia cada dia um pouco mais – respeito, dignidade, igualdade e ainda mais amor!

Seu reencontro com o mar há de ser especial, pois este 2020 tem nos sacudido todos os dias! Apesar disso, ela segue sua história... dias ora leves, ora intensos, ora intermináveis! Ufa, melhor mesmo é celebrar – a vida, a alegria, os sorrisos, as conquistas, os amigos! Vem, Ano Novo, me leve com você pra passear!

Nossa Eve, que sua nova primavera seja plena como teus sorrisos, que a vida te presenteie com as mais simples e verdadeiras realizações! Que te sobrem motivos para celebrar!

Dos seus amigos que são pura Conexão!

Lineia Fernandes, jornalista

terça-feira, 13 de outubro de 2020

A DOCE E DIFÍCIL TAREFA DE ALFABETIZAR

O nome dela é composto, porque certamente um só não seria suficiente para dar conta de uma personalidade tão forte. O primeiro, de origem desconhecida, dá leveza, enquanto o segundo, que significa magnífica, remete à posição especial da mulher desde os tempos bíblicos. Clergy Madalena é exatamente a soma da força com a delicadeza, duas características tão necessárias ao exercício do Magistério.

Prestativa, amorosa, cuidadosa, mas também firme e exigente, como deve ser o bom professor. Aquele que ensina e aprende junto com o aluno, que se emociona com as conquistas de cada um, que acolhe os pais diante das dificuldades naturais para aqueles que não dominam os saberes com o olhar pedagógico. Que respeita o tempo e o espaço da criança e sempre vibra como se estivesse diante da primeira turma. 

Ela é uma das fundadoras da escola e ainda hoje, mais de duas décadas depois, é uma entusiasta como os novatos. Natural de Riachão do Jacuípe, a pedagoga de formação que sempre sabe a hora certa de avançar, viveu em Capela do Alto Alegre. A vida em pequenas cidades talvez justifique o seu jeito simples de ver e entender as coisas, por mais complicadas que sejam, e a facilidade de lidar com crianças. É alfabetizadora nata!

Sua mente não para, está sempre pensando em algo novo para a aula seguinte. E quando se despede certamente os jogos e brincadeiras para instigar o aprendizado da escrita ou das operações matemáticas já povoam seus pensamentos. Perfeccionista (quem tem ideia é ela, dizem os colegas), não pensa duas vezes em fazer de novo (ela faz tudo bem feito, atestam os pequenos grandes alunos).

Seja na sala de aula ou pela tela fria – do computador ou do celular – a sua relação com os alunos é marcada pelo carinho permanente (meu neto Lucas que o diga!). Na pandemia, foi preciso reformular planos de aulas, utilizar o lúdico com maior intensidade e se adaptar ao novo modelo de educação, sem perder a qualidade. Ela encarou os desafios e fez tudo isso com maestria.

Enfim, não poderia ser diferente para alguém que acredita em Deus e em tudo que Ele pode fazer na vida de todas as pessoas. 

Para a professora Clergy, que une delicadeza e força no exercício pleno do Magistério e conquista alunos, pais e avós, no comando do 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Simétrico, com pequenos grandes gestos no dia a dia da sala de aula. Em seu nome, o reconhecimento aos professores que deixam marcas indeléveis na vida de todos nós.

Madalena de Jesus é jornalista e professora 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

DÊ UMA OLHADA SEM COMPROMISSO, FREGUÊS...

 

Alana Freitas El Fahl 




“Minha terra não é moça, minha terra é menino, que atira badogue, que mata mocó, que arma arapuca e sabe aboiar.” (Eurico Alves Boaventura)

“A carreta de Oscar grande como a rua, Cine Íris e a certeza de ter nascido antes.” (Iderval Miranda)

“Você pode, em Feira, recitar versos logo de manhã e não parecer pedante. Você diz: parem de jogar cadáveres na minha porta." (Ederval Fernandes)

Costumo dizer que sou feirense de umbigo enterrado, expressão popular baseada na tradição de enterrar o umbigo da criança no local onde nasce, simbolizando sua pertença eterna com aquele pedaço de chão. O meu foi enterrado no bairro da Mangabeira (ainda zona rural naquele março de 1975) onde morávamos em uma chácara, misto de casa e comércio de meu pai. Nasci nessa casa de parto normal pelas mãos da parteira Mãe Maria e da enfermeira Maria Augusta e meu umbigo foi enterrado no curral onde é hoje é um condomínio. Aos dez anos fui morar na Rua Edelvira de Oliveira, uma rua muito movimentada entre a Av. Maria Quitéria e João Durval e ali fiquei até me casar em 2005 e vir morar no SIM, bem antes do que o bairro ser o que é hoje.

Nascida e criada nessa terra me sinto uma tabaroa de Feira com todo orgulho e gosto de reafirmar essa filiação por outras terras por onde vou, sempre com a passagem de volta marcada. Como boa feirense, tenho o hábito/costume ou até vício de “bater perna na rua”, como os franceses dizem, sou uma flaneur. Para quem não é baiano, ir à rua significa ir ao centro da cidade, parte viva e pulsante de toda urbe. O motivo pouco importa, desde a compra prosaica de um presente até a resolução de um problema burocrático, o prazer é andar pelo centro vendo as novidades, parando em carrinhos de frutas, comendo amendoim ou milho assado, apreciando o corre-corre das pessoas, ouvindo retalhos de conversa e imaginando suas histórias de vida, escolhendo bugigangas que à primeira vista parecem essenciais.

Gosto disso desde criança. Pela mão de minha mãe, íamos comprar tecido na Violeta, aviamentos no Armarinho Marta, pão na Padaria da Fé, café e fubá no Tabajara, bijuterias em Zé do Fusca. Recordo do encantamento quando entrei pela primeira vez nas Lojas Brasileiras, meu primeiro Shopping, com aquele mundo de doces a granel, ou o frio na barriga ao subir as escadas rolantes das Pernambucanas. Quando era necessário íamos sacar algum dinheiro na ASPEB, da poupança que minha fazia com os seus caixas e trocos de feira, e íamos comprar roupas na Sheila ou sapatos na Bezerra e Santana sempre no Natal ou São João, essa última muito chic, fazia sorteios de pipocar a bola, uma vez ganhei uma Sandália Karatê.  Quando não tínhamos a carona de meu pai, íamos no ônibus da Autossel. O ápice desses bordejos era merendar um coco espumante no Predileto ou o coroamento de um almoço no Boiadeiro. E essa redondeza era toda beleza, havia ali no início da Sales Barbosa um pipoqueiro e um freezer da Kibon, além de um jardim com bancos para tomar nosso sorvete confortavelmente.

Eu estudei no primário no Colégio Dalle Nogare, do hoje meu amigo e colega de UEFS Humberto Oliveira, que funcionava em um sobrado em frente à Praça do Nordestino, bem no burburinho do centro, então comecei a dar minhas escapulidas para ver a rua bem criança, descobri ali pertinho uma banca de revistas, Sadel, nome em razão de funcionar no passeio dessa loja, ainda hoje de pé, e uma loja de discos,  a Só Discos, volta e meia eu corria lá rapidinho na hora da saída. Ainda lembro-me de uns móveis de bonecas, miniaturas de uma mobília, que eram vendidos na esquina da Marechal com a praça da Bandeira, no passeio onde funcionava o Banco Bamerindus (O tempo passa, o tempo voa), tão lindas que ainda guardo nas gavetas da memória o cheiro de madeira daquela minha primeira casinha.

Já adolescente, de “cangote grosso e ferrado limpo” como dizia minha vó Lili, comecei a ir para rua sozinha e não parei mais. Eu me transformei em uma espécie de “quebra-faca” da família, tudo que era preciso fazer na rua, “manda Alana que ela gosta”, “manda Alana que ela sabe achar”, cargo que ainda ocupo na medida do possível da vida adulta. Recordo-me da  alegria de minhas compras do material escolar na Nossa Papelaria ou na Livraria Dom Pedro, do simpaticíssimo Sr. Amadeu do Banco do Brasil, que recebia pessoalmente seus clientes, levava na porta e chamava o táxi se fosse preciso. A Ottan Center e CF Carvalho Magazine  era tão lindas,  lojas de departamentos by Princesa do Sertão, com suas sessões diversificadas e vendedoras muito elegantes. E havia o Íris e o Timbira onde aprendi a amar o cinema nas matinês com gosto de Mentex e bala Kids. Depois descobri a Galeria Carmac que tinha uma lanchonete maravilhosa na esquina e quando veio a Luciana Center, o Arnold Silva e o Pedro Falcão foi a glória, até hoje quando passo por eles não resisto a cruzá-los, o máximo em matéria de cortar caminho vendo vitrine bonita no percurso. O Pedro virou Drogasil, nesse processo bizarro de farmacificação de nossa terra.

Dessa fase, final dos anos 80 comecinho dos 90, também guardo boas lembranças dos domingos. Eu e minha turma do Colégio Nobre com nosso cabelos de Chitãozinho e Chororó e calças bag, de tardinha íamos para a Gelateria Italiana, ali ao lado do Colégio São Francisco, hoje Safra. O legal era tomar sorvete e depois ficar na porta resenhando e paquerando, às vezes atravessávamos a rua para um sanduíche no Gauchão que ficava ali no meio ou para comer uma fatia de pizza na lanchonete do Malibu Shopping, hoje Shopping das Fábricas. Enfim, o verbo dos domingos era “Getuliar” e quando era perto da Micareta então, rolava por ali o que se chamava de Grito de Micareta e na Micareta mesmo existia a rivalidade dos bailes Tênis x Cajueiro, um mais popular, um mais elitizado. E em setembro era a Expofeira que agitava nossa cidade, botar bota e muita banca de fazendeiro sem nunca ter sido e ir para o Parque de Exposição era o máximo, quem não lembra do locutor de voz empostada: Fazendas Bahia, Fazendas Pau da Rola…

A menina cresceu, ficou sabendo que passou no vestibular para Letras pela Rádio Antares e pelo jornal Feira Hoje, virou professora, virou esposa de um comerciante, filho de árabes que por aqui chegaram e ficaram como muitos outros imigrantes que nossa terra acolhe, virou mãe de Miguel, mas ainda guarda essa menina que um dia se perdeu no centro da cidade e foi localizada numa barraquinha de doces na porta da Violeta batendo altos papos com os fregueses e não entendeu o desespero de seu pai e um monte de gente que a procurava, ela só estava dando umas voltas…

Praticamente de tudo que falei aqui pouca coisa resta de concreto nessa Feira de hoje, mas ainda quando vou para rua (um dos meus piores martírios do isolamento social, há quase seis meses sem uma incursão na Sales Barbosa) essas memórias me invadem junto com aquele cheiro de coco queimado com rapadura que era vendido ali na Bernardino Bahia ou do gosto do sorvete da Princesinha, das seriguelas da Festa da Kalilândia e da maçã do amor da Festa da Matriz onde passei muito mal um dia por medo de Monga.  Dentro de uma cidade cabem muitas cidades e dentro de nossas memórias cabem muitos mundos, não vejo a hora de ouvir de novo Chip Tim, Oi, Claro, Vivo, Cartão, Senhora?, Dentista?, Empréstimo?, Capinha, película? Olha a “Acelora”… Essa é a minha Feira e sei que cada um tem a sua…Eurico Alves, Godofredo Filho, Joaquim Gouveia, Hugo Navarro, Iderval Miranda, Ederval Fernandes, Beto Pitombo, Carlos Pita, Zé Coió, Raymundo Luiz, Adilson Simas, Zé Maria, Antônio de Josino, Clovis Ramaiana, Augusto Spínola, Jânio Rego, Cintia Portugal, e você de umbigo enterrado ou não…

Alana Freitas El Fahl é Professora Titular de Literatura da Universidade Estadual de Feira de Santana e tabaroa de Feira de Santana com umbigo enterrado com muito orgulho!

Fotos: Grupo Memórias e Histórias de Feira de Santana

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

AMIZADE É SENTIMENTO

 

Foto: Leila Cruz

Você também acredita nisso? Que amizade é sentimento? Pois é. O tempo pode passar, as coisas podem mudar, mas a amizade, quando é verdadeira, permanece ali, intacta. Amizade não tem a ver com intensidade, com presença, tem a ver com o que você sente. Não é por acaso que, muitas vezes, você acaba de conhecer uma pessoa e tem a certeza de que aquele vínculo será para sempre. Isso é amizade. Quantos amigos não se falam há um tempão, nem pelas redes sociais digitais, mas, quando se encontram, é como se aquele intervalo não tivesse passado de um segundo? Isso é amizade. Ela se caracteriza por uma mão que é dada e que não está visível aos olhos, mas está ali. "Vamos de mãos dadas", como diz o poeta. E todas as vezes que essa mão precisa se tornar visível, ela  o fará. Isso é amizade.

Preservar esse sentimento é um desafio que vale muito a pena, porque amizade não é um produto que se encontra por aí, pronto para ser comprado por quem tem mais dinheiro, é mais seguido ou aparece na televisão. Não. Amizade está acima dessas coisas pequenas. Amizade é algo grandioso. Por isso, todo esforço para preservá-la nunca é em vão. Vale discutir, brigar, reconhecer, perdoar. Vale tudo por uma boa amizade. Tudo mesmo. Vale agradar, mostrar a importância que o amigo e a amiga têm na nossa vida, mostrar-se disposto ou disposta a ajudar, ser "colo de mãe" quando for necessário. Isso tudo é importante e faz crescer. Isso tudo é amizade.

É claro que nos caminhos da vida a gente se depara com uma decepção ou outra, que é cruel, que machuca bastante. Nesse sentido, fico sempre a me perguntar: quando a gente se decepciona com um amigo ou amiga, o sentimento de amizade era entendido da mesma forma por quem fazia parte daquela relação? Porque, é claro, nós somos falhos, erramos, não somos perfeitos. Contudo, numa relação de amizade honesta, todas as imperfeições são sabidas e até bem-vindas, porque são elas também que fazem o vínculo ir adiante e se perpetuar. Ainda não tenho resposta para a pergunta que fiz, mas tendo a achar que a mão que decidiu se soltar nunca esteve junta, grudada. 

Amizade é sentimento. Nenhuma distância é capaz de abalar uma amizade, quando ela é verdadeira. Amizade é sentir o outro, mesmo que distante. É querer sempre bem e acolher sempre que houver necessidade. Amizade é amor sem limites, sem barreiras e sem tempo. Amizade é sentimento.

Raulino Júnior é compositor, professor, especialista em Estudos Linguísticos, jornalista, produtor cultural e mestre em Educação e Contemporaneidade