
No círculo de pedra vaga o leão sangrento,
entre sombra, desejo e cansaço.
Pelos dentes a saliva lubrifica a fome
... e ele arde, rosnando solitário no paraíso.
Devagar percebe que lhe vão caindo os dentes,
( a vasta juba de fogo esfria em pelos brancos )
Devagar lhe caem as unhas, as vontades
caem as lembranças mais felizes.
O leão covarde geme e chora,
Falta-lhe o bando, falta-lhe aquilo que ficou para trás
o rugido imponente que se perdeu pelo caminho
Mas o leão resiste e avança pela estepe com o pouco que lhe restou,
a lembrança do filho, a derradeira glória, a pouca e valiosa fé.
Ronald Freitas (Cadafalso.2012)
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