sábado, 25 de julho de 2020

O ESCRITOR

     
Cristiano Lôbo 

Centrado, sensível, sereno 
Inspirado pelo coração 
Capaz de traduzir o desejo
Em textos com ou sem emoção.

Busca no seu imaginário
Aquilo que gera beleza 
Conquanto precise, de fato, 
Da sintonia que traz a leveza.

Com técnicas e estilo próprios
Na escrita, sentidos atentos 
No papel ou mesmo na tela
Expõe, no contexto, seu talento. 

No lazer ou na profissão
Sem faltar o sentido do amor 
Ornando bem as palavras
Eis aí, o verdadeiro escritor.

Por Cristiano Lôbo

quinta-feira, 23 de julho de 2020

MARATONA DE IDEIAS UNIFTC BUSCA SOLUÇÕES PARA A PANDEMIA




 Primeira edição do evento, em 2019 - Foto Eduardo Freire


Encontrar soluções para enfrentar a Covid-19, especialmente nas áreas da saúde e da economia. Esse é o desafio proposto aos alunos da Rede UniFTC, através do projeto Maratona de Ideias, que realiza a primeira etapa neste sábado (25) e a segunda dia 25 de agosto. A atividade acontecerá totalmente on-line e será desenvolvida em grupos, com o suporte de professores. Serão premiadas as ideias que apostarem em tecnologia e inovação, sem perder de vista a relevância e a viabilidade das sugestões.

Estudantes de todas as unidades da instituição participam do projeto, que incentiva a interação e uso de habilidades, conhecimentos e competências em busca de soluções criativas. “Mesmo diante do distanciamento social, podemos ser criativos, fazendo uso da tecnologia e suas funcionalidades para unir nossos alunos e professores na busca por soluções inovadoras para a sociedade”, explica Fabrício Oliveira, Gestor do Programa de Inovação e Empreendedorismo da Rede UniFTC e responsável pela coordenação do projeto.

A intenção, de acordo com o professor, que também coordena o curso Sistemas de Informações do Centro Universitário UniFTC de Feira de Santana, é que todos os participantes tenham a experiência de compartilhar, aprender e construir de forma colaborativa. Fabrício informa ainda que toda a comunicação entre as equipes, seus mentores e a coordenação da Maratona de Ideias acontecerá através do Google Classroom. 

Em sua primeira edição, que aconteceu entre outubro e dezembro de 2019, a Maratona de Ideias abordou o tema "Eu movimento minha cidade" e provocou os estudantes a desenvolverem soluções inovadoras para os problemas de suas comunidades. As equipes que apresentaram ideias mais maduras seguiram para a disputa final, em Salvador. O projeto vencedor foi o aplicativo "Save Life", que facilita o processo burocrático em torno da doação de órgãos. Os alunos também trouxeram propostas relacionadas ao acesso à saúde pública, descarte consciente de resíduos e diversos outros temas relevantes à sociedade. 

Madalena de Jesus, jornalista


sexta-feira, 10 de julho de 2020

RELAXAR E VIVER O PRESENTE, É O QUE TEMOS.



E os dias vão passando, somando meses nesse isolamento forçado. Os casos da Covid-19 não param de crescer na nossa Feira de Santana.  Diante desse cenário, o prefeito voltou a adotar medidas restritivas, decretando, mais uma vez, o fechamento do comércio, uma maneira de ampliar a taxa de isolamento social, sempre abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Agora, mais do que nunca, a ordem é ficar em casa. 

Vivemos tempos estranhos, onde tudo acontece de modo virtual.  Recentemente, fiz uma consulta médica por chamada de vídeo, a telemedicina. Claro que não é a mesma coisa que uma consulta presencial, mas é o que temos no momento para as pessoas que, como eu, não devem sair de casa.  Para conversar com familiares e amigos uso o mesmo recurso. Assim, posso ver o rostinho das pessoas queridas, matar a saudade dos filhos e netos.

Dia desses, uma amiga lojista me ligou acenando com liquidações, coleções novas e outros atrativos que fazem a alegria de toda mulher; mandava até uma malinha com as peças para eu escolher em casa. Mas não preciso de roupas, o armário está cheio delas, há muito tempo sem uso. Não vou a lugar nenhum. Viajar então, nem pensar! Por enquanto só uso pijamas, de preferências os bem velhinhos, mais confortáveis.

Não vou mentir. Claro que sinto falta da rua, da lanchonete, do cinema, do shopping. Ah! As vitrines! Como era bom ver as novidades que os consumistas adoram. Parece até sonho que um dia percorri as alamedas dos shoppings, os corredores dos supermercados, as avenidas da cidade.

Quando tudo isso acabar, quero ir primeiro ao salão de beleza. Sério! Preciso urgente de uma repaginada na minha aparência! Quero sentar e deixar que as profissionais cuidem do meu cabelo, da pele, das sobrancelhas, das unhas. Uma faxina geral. Falando desse jeito até parece que não estou sequer tomando banho. Calma, não é bem assim, simplesmente trata-se da mais pura e completa vaidade, confesso.

Brincadeiras à parte, porque o assunto merece seriedade. Mas creio que é preciso relaxar nesse momento, deixar um pouco de lado os telejornais. Ficar somando o número de mortos e infectados só aumenta a ansiedade, preocupação, enfim, o medo de contrair a doença. Melhor é ouvir música, ler um bom livro, assistir filmes e séries interessantes, ligar para um amigo... tudo isso faz bem à saúde mental, recomendam as autoridades médicas. Para quem tem fé, rezar também traz um grande conforto, luz e esperança, quando tudo parece incerto.

Nas minhas reflexões sobre coronavírus, quarentena e outros senões, procuro ouvir o que nos diz a escritora chilena Isabel Allende. Ela aconselha a não viver com medo, porque nos faz imaginar o que ainda não aconteceu e sofrer o dobro. “Temos que relaxar um pouco, tentar apreciar o que temos e viver no presente”. Palavras alentadoras!

Socorro Pitombo é jornalista
Texto publicado originalmente no Blog da Feira

sábado, 27 de junho de 2020

SÁBADO NA FEIRA OU OS ESPECIALISTAS EM PANDEMIA



De repente nos tornamos especialistas em pandemia. É parecido com o que ocorre, por exemplo, em copa do mundo, onde há técnicos de futebol em cada esquina. Há os que analisam os números de infectados, mortos, hospitalizados, as taxas de transmissão, os níveis de isolamento, como verdadeiros estatísticos. Outros, se especializaram na extensa farmacopeia, receitando curas para o espírito e para o corpo, como verdadeiros infectologistas. Outros, experts em máscaras, em álcool gel, urbanismo, gestão privada e pública, em sexologia, em…. em diversas e inúmeras aptidões e funções humanas.

Dia desses alguém me receitou a raiz da jurema preta com casca de candeia e mel de abelha jataí, cozinhadas em fogo brando para ser tomada em noite de lua cheia…. Não vou mentir, eu gostei, ou melhor, adorei…e quase consigo fazer a porção, não fosse a raridade do mel dessa abelha catingueira. Me pareceu a receita do  ‘vinho sagrado’ do qual se serviam meus antepassados tapuios para atravessar a correnteza do rio monxoró, a nado, em tempo de inverno chuvoso como esse d’agora….

Isolado aqui na Matinha já lá se vão quase quatro meses, sem nenhuma capacidade de enveredar pelos caminhos das ciências e obrigado pela sobrevivência a escrever aqui no BF, me sobram memórias esparsas dos sábados em que eu flanava pelo centro da cidade, papeando no Mercado de Arte, bebericando na Marechal, rezando o ofício das almas e queimando o incenso de Senhora Santana na praça da Matriz.
Nessa época, ano passado, o milho verde espalhava-se pela rua. Há sempre uma roda de gente na praça do Map, onde  não é raro o samba-de-roda incomum dos angoleiros.

Olhe, se você já ouviu falar da segunda-feira em Feira de Santana, a feira livre, e sabe que não há mais o que diz Tom Zé naquela música, ou mesmo ouviu como eram as ruas do centro pela boca de algum comerciante abastado, entende o que eu quero dizer e mostrar. A diferença é que não há mais segunda-feira, entende?, pois o sábado na Feira tornou-se parecido com aquelas segundas, em burburinho, na variedade, na profusão de tabaréus, ou não, vindos de todos os recantos da região. É o dia que as vans chegam lotadas nos terminais da praça, do Feiraguay, atrás do Tênis, no Centro de Abastecimento. Transporte é o que não falta nesse entroncamento.

Mas escrever é um parto dolorido, as palavras me saem a fórceps, trôpegas, recorro então a essas  fotos para dar uma melhor ideia de como era o sábado no centro da Feira, antes dessa pandemia. Cumpro assim o meu dever e me livro desse texto que não sei como terminar…acho que minha saúde mental não está boa, com licença, vou me consultar com um especialista aqui no zap…

Jânio Rego, jornalista

(Publicado originalmente no Blog da Feira)

quinta-feira, 11 de junho de 2020

LER É VER O MUNDO COM A ALMA

Victor Souza Vieira

Quando ele era um garotinho de sete, oito anos e eu perguntava o que queria de presente de aniversário, a sua sugestão era sempre ir a uma livraria. Lá, ele escolhia, sem pressa e enchendo a atendente de questionamentos, um livro. E eu querendo agradar, claro, sempre comprava mais um ou dois. Afinal, não era nada comum uma criança substituir os brinquedos e tantos outros atrativos da vida infantil por livros.

O tempo passou. Já estudante de Direito e lá íamos nós para a livraria nos dias que antecediam sua data de aniversário – 12 de outubro, data duplamente emblemática, alusiva à criança e a Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. E enquanto eu folheava as mais interessantes obras literárias para indicar, ele chegava com um livro da área de conhecimento de seu curso. “Pronto, dinda, é esse”.

E meu pequeno Victor virou um grande homem, em todos os sentidos. E um leitor como poucos. Hoje, lendo uma resenha assinada por ele sobre o livro Frankenstein, de Mary Shelley, me surpreendi com a maturidade de sua interpretação, sua capacidade de entendimento não apenas do que está dito, mas principalmente das mensagens subjetivas. Afinal, é na subjetividade que está o sentido real.

Eu não sei até que ponto as nossas idas à livraria contribuíram para esse gosto tão especial pela leitura. Mas fico imensamente feliz, pois sei – aprendi com meu pai – que as palavras, onde quer que estejam, saltam aos olhos de todos, mas somente àqueles que têm o dom de ver além da superficialidade é dado o direito da verdadeira compreensão. Porque ler é ver o mundo com a alma.

Madalena de Jesus, jornalista, professora e madrinha de Victor Souza Vieira

terça-feira, 19 de maio de 2020

ENTRE COSTURAS E BORDADOS NA QUARENTENA



Sempre fui péssima em trabalhos manuais. Quando estudante no ensino médio, volta e meia a professora de Artes, a estimada “Paquinha” – quem lembra? – me alfinetava por não fazer direito uma bainha aberta, pregar um botão, fazer um bordado em ponto cruz ou ponto cheio.

Minha mãe era excelente em costura e bordado, pena que eu não soube aproveitar. Preferia bater perna até a loja Pires, casa comercial que era um verdadeiro magazine. Ali tinha um pouco de tudo, tecidos, utilidades domésticas, roupa de cama e banho… e muito mais. Já a loja Caldas, na avenida Getúlio Vargas, além desses produtos, também oferecia toda uma linha de higiene e beleza como o rouge (hoje blush), batons, esmaltes para as unhas, perfumes e cremes, itens indispensáveis na necessaire de toda mulher.

Hoje, nesse isolamento forçado, quando nos sobra muito tempo em casa, sinto falta de fazer um crochê, um tricô, alguma costura ou bordado. A inspiração me chega das postagens de amigas prendadas, exibindo peças decorativas e de utilidade doméstica, como toalhas de prato e tapete para cozinha, além de máscaras, é claro. Quanto a mim, só sei mesmo escrevinhar essas linhas.

A verdade é que tem muita gente se virando nessa quarentena, fazendo coisas impensáveis, como tonalizar e cortar o próprio cabelo. Agora, com o decreto governamental que considera serviços essenciais (?) os salões de beleza, academias e barbearias, nem é mais preciso tanto esforço para melhorar a aparência, fica por conta dos profissionais.

Limpar a casa já não é mais um serviço tão estafante. Sem a ajuda das diligentes domésticas, que também estão ficando em casa como precaução ao coronavírus, a vassoura elétrica é uma aliada. Que o diga a minha nora, que tirou a dela do armário e num instante tem o piso limpinho. Há também aquelas que estão optando pelo robô para varrer o chão! Uma novidade dos tempos modernos. Só precisa ter grana, porque o tal aparelho custa os olhos da cara.

No mais só resta a certeza de que os novos tempos exigirão de todas as pessoas novas habilidades. Quem sabe eu não aprenda a fazer flores? Costurar uma máscara, fazer um bolo, ainda que seja 0% lactose, já que ainda tenho que enfrentar essa restrição. Mas não reclamo. Afinal, comer sem glúten e sem lactose está super na moda e, antes de tudo, é saudável.

Enquanto isso, permaneço em casa quietinha, mesmo porque faço parte do grupo de risco e prezo muito a minha vida. Os livros são meus companheiros de sempre e agora as lives também. No WhatsApp ouço os poemas declamados por Faní, espalhando beleza nesses dias difíceis. Da varanda de casa vejo a rua quase deserta, os outdoors e a quadra de esportes vazia, nesse finalzinho de tarde de um domingo qualquer. Vida que segue na esperança de que não demora muito e tudo isso vai passar.

Socorro Pitombo, jornalista

Texto publicado originalmente no Blog da Feira

terça-feira, 5 de maio de 2020

SOBRE ABRAÇOS, SAUDADE E O JARDIM DA UNIFTC



Estou há exatos 52 dias em casa, afastada de minhas atividades presenciais na UniFTC Feira de Santana e na Câmara Municipal. Uma questão de precaução, já que faço parte do grupo de risco para o invisível e temido Coronavírus. E, ao contrário do que sente a grande maioria das pessoas que vive situação semelhante, não acho isso ruim, pelo contrário. Afinal, agora eu tenho algo que há muitos anos buscava em minha labuta diária: tempo.

E é exatamente a noção de disponibilidade do tempo, mesmo com tarefas profissionais a serem cumpridas, que tem me levado a rever minha postura diante da vida e das pessoas com quem a divido. Há muito tempo ou há alguns poucos anos. Nesse percurso, até a distância ganhou um novo significado. Nunca tantas ideias foram discutidas com tamanha intensidade entre meus colegas de trabalho e superiores. É isso mesmo, a internet aproxima, mesmo de longe.

Nesse novo formato de trabalho, adotado de forma inevitável por conta  do distanciamento social imposto pela pandemia, Feira de Santana está tão próxima de Itabuna e Eunápolis, como de Juazeiro, Petrolina, Conquista, Jequié e Salvador. A cada reunião, estamos juntos na tela do computador. Bem mais perto do que antes. Ficamos mais íntimos também. Compartilhamos textos, lives, postagens, fotos, preocupações, da mesma forma que dividimos aflições pessoais.

E não é exagero. Em tempos de isolamento, até a morte chega com nova roupagem. Domingo (4/5), acordei com a notícia de que uma boa e velha amiga havia deixado essa dimensão. Maria Mercês Pimenta tinha 87 anos e durante muito tempo estivemos bem próximas. Não nos últimos anos. Falei com dois de seus filhos e uma nora e remexi meus arquivos em busca de fotos para relembrar momentos que não serão mais vividos. E nesse emaranhado de emoções, nada aplacou a falta do abraço em seus familiares, especialmente Cristina, sua parceira de vida, com quem ainda não tive coragem de falar.

Sentimentos parecidos devem ter sido experimentados pelos familiares e amigos do compositor Aldir Blanc e do ator Flávio Migliaccio, que fizeram a viagem definitiva no mesmo dia. Nunca os vi, a não ser por meio da ressonância de suas respectivas obras. Mas senti a dor dos seus como se fosse minha. Mais uma vez a noção de distância se desfez e, ao ler a carta atribuída ao ator comediante, um vazio enorme tomou conta de mim. Realmente, está muito difícil viver nesse mundo podre, com a humanidade infectada por sentimentos mais devastadores do que um vírus mortal.

A saudade é enorme. De todos e de tudo. O que eu quero mesmo é voltar a viver normalmente, sem essa lança apontada para nossa cabeça, vendo o lindo jardim da UniFTC todos os dias. Mas sei que por enquanto e, ao que tudo indica, por muito tempo ainda, isso não será possível. Continuarei vendo meus netos, minha filha e demais pessoas queridas por vídeo chamadas, aproveitando o tempo que estou em casa para cuidar do lugar onde vivo, fazendo do whatsapp um elo com meus amigos e colegas de trabalho. No mais, vou guardar todos os abraços e a saudade.

Madalena de Jesus, jornalista e professora de Literatura e Língua Portuguesa